A noite està escura apesar do luar. O ar é fresco mas nem hà brisa.
Ponho-me à escuta de qualquer som que fizesse uma folha, um bicho. Mas nada.
Vem-me so o eco de coisas que ouvi. Coisas de antes. Jà passadas.
Palavras ditas ao acaso dos nossos encontros tão previsiveis, programados.
Estou completamente oca.
A vida vazia, a cabeça a mil repleta de lembranças.
Tento perceber que caminho foi, é, este. Para onde tudo isto me leva.
Encurralada num tempo de espera.
Não tenho respostas.
Sò este silêncio que preenche tudo e o sussurro abafado do que disseste.
Tudo se mistura, não percebo nada. Nao consigo entender.
Misturam-se as saudades às recordações e tudo o que oiço claramente
é o coração a bater. Agarrado à vida. Apesar do desprezo.
Não mereci isto. Ou se é merecido, porquê? Para quê?
Onde falharam as intenções sinceras? O que fiz, o que ouvi? O que fizeste e ouviste?
Não sou, nunca serei, a unica a denunciar amores sem correspondência.
Mas neste, o nosso, pensei de verdade que chegaria dar tudo para là chegar.
Dei tudo... a perder. E perdi.
Tento ocupar as horas e a distância que me separam de ti mas a contagem corre desvairada.
Não consigo acompanhar.
Hà esse fio que me liga ao que vivemos e um nò tão apertado que nada poderia desatà-lo.
Até seria bom.
Devolverte-ia a liberdade... ganharia talvez a minha.
Mas o coração não quer e a mente é fràgil. Pronta a tudo para a voltar a provar, saborear, o que conheceu.
Aquelas horas, nossas horas.
Com a ponta do dedo, toquei uma estrela
e esta noite, apesar do luar, não vejo uma sequer.
Sento-me à noite là fora.
Por vezes està là em cima, presa naquele manto negro, uma estrelinha a brilhar.
E pergunto: Serà que foi ela?
O silêncio pesa e abafa tudo.
Não oiço resposta nenhuma. Os anjos dormem.
A noite està fresca.
Tenho frio e jà não te tenho por perto... nem por longe.
| Reter o tempo |
Eterno é tudo aquilo que dura uma fração de segundo, mas com tamanha intensidade, que se petrifica, e nenhuma força jamais o resgata... (C. Drummond de Andrade)










