De toutes les décisions, de tous les choix que j'ai dû faire dans la vie, je t'ai toujours craint. Tu pénètres, insidieuse et sournoise, d'abord sur la pointe des pieds puis de plus en plus présente, tu t'assoies et t'installes sans retenue, dépourvue de pudeur. Tu t'étales, t'insinues,te déverses.
Tu peux être source de sérénité quand je t'invoque et te provoque.
Aujourd'hui tu es venue sans que je t'appelle. Comme un hôte abusif et désinvolte, tu viens sans que je t'invite.
Tu me mines, me détruits telle un envahisseuse dont le ravage anéantit mes espoirs.
Avec toi, si présente, c'est comme si j'avais tout perdu. Tu ériges des barrières partout dans mes pensées m'empêchant même de m'accrocher à quelque rêve qui me permettrait de te fuir.
Tu me fais peur.
Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.
Clarice Lispector
mardi 6 mai 2014
vendredi 25 avril 2014
LES MOTS DU BONHEUR
Les mots du bonheur ont ils pu être des leurres? Lorsque j'écoute, je lis les mots de l'autre, quelles que soient les circonstances, peut-on absolument se tromper sur leur sens?
Ils m'avaient pourtant été donnés comme des cadeaux. Je les avait reçus comme un présent - départ pour un avenir. Ils avaient été donnés comme autant d'indices menant vers un chemin que je rêvais d'emprunter.
J'y repense sans cesse. Difficile d'admettre, malgré la tournure que le temps a donné à notre histoire, que tout n'était qu'un simple, méprisable, exercice de séduction. Dieu qu'il est douloureux de penser ainsi!
Est-ce pour me protéger que je me raccroche à un sens qui n'était pas celui donné? Est-ce un repli de l'autre qui comprend à un moment donné qu'il est allé trop loin. Trop loin sur un chemin vers lequel il m'a portée. Puis il fit demi-tour me laissant là. Sans comprendre.
Questions incessantes que je me pose sur ces moments perdus à jamais. Pas vraiment perdus. Je les garde ancrés, comme une marque indélébile.
C'est qu'ils ressemblaient tant à ce que je me réservais!
Para Ti
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
Ils m'avaient pourtant été donnés comme des cadeaux. Je les avait reçus comme un présent - départ pour un avenir. Ils avaient été donnés comme autant d'indices menant vers un chemin que je rêvais d'emprunter.
J'y repense sans cesse. Difficile d'admettre, malgré la tournure que le temps a donné à notre histoire, que tout n'était qu'un simple, méprisable, exercice de séduction. Dieu qu'il est douloureux de penser ainsi!
Est-ce pour me protéger que je me raccroche à un sens qui n'était pas celui donné? Est-ce un repli de l'autre qui comprend à un moment donné qu'il est allé trop loin. Trop loin sur un chemin vers lequel il m'a portée. Puis il fit demi-tour me laissant là. Sans comprendre.
Questions incessantes que je me pose sur ces moments perdus à jamais. Pas vraiment perdus. Je les garde ancrés, comme une marque indélébile.
C'est qu'ils ressemblaient tant à ce que je me réservais!
Para Ti
Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo
Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre
Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida
Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"
vendredi 17 janvier 2014
PROMENADE
Ce matin-là, je décidais de marcher. Juste aller. Sans errer vraiment. Je voulais simplement m'essayer à mettre un pas devant l'autre, sachant juste que j'emprunterais des chemins inconnus, sans savoir vers quel but. Retrouver l'espoir que je pouvais encore avancer. Apercevoir une lueur de ce que ma vie pouvait encore devenir.
L'âme vide, le coeur brisé, je n'avais pas besoin de mes pensées pour faire venir les larmes. Elles sont venues comme ça, sans réfléchir. Le vent glacial me les donnait sans effort. Elles coulaient, douces, simples. Comme un naturel trop plein qui se déverse. Sitôt que je m'en dégageais, d'autres, avides de laisser fuir mon chagrin, coulaient aussitôt.
L'âme vide, le coeur brisé, je n'avais pas besoin de mes pensées pour faire venir les larmes. Elles sont venues comme ça, sans réfléchir. Le vent glacial me les donnait sans effort. Elles coulaient, douces, simples. Comme un naturel trop plein qui se déverse. Sitôt que je m'en dégageais, d'autres, avides de laisser fuir mon chagrin, coulaient aussitôt.
mercredi 22 mai 2013
VIVER A MESMA COISA
Vou lendo o que "ela" escreve.
Desconhecida que parece que conheço tão bem.
Escrita, fotografia, sensibilidade, romantismo... e o mesmo amor por ti.
De inicio, quanto custou perceber que eramos duas! talvez seriamos mais até... mas as outras, não sei quem são. Somente tenho esta ideia que a sedução é uma arma de guerreiro infatigàvel.
Era ela, e era eu...
De dias previstos roubados, sei que "ela" deles aproveitou.
Tive raiva, a raiva do ciume, a raiva de saber que "ela" là esteve e eu não. Que "ela" te tinha e eu não. Perdição essa de sentir a terra que se abre num vazio do coração. O coração apavorado que bate numa solidão injusta...
Antes era eu, ou era "ela", depois fui eu, e depois foi ela.
Do que escreve entendo tudo, vida tão semelhante nesse amor que não se quer dar.
Viver a mesma coisa sem partilhar porque não posso.
Viver sem ti e sentir sem ti, é a mesma coisa para ela. E bem sei que se a deixaste, foi como quando me deixaste a mim. Vivemos a mesma coisa... sem ti.
No deserto, nada mais se parece com um grão de areia que outro grão de areia; é irremediàvel.
Desconhecida que parece que conheço tão bem.
Escrita, fotografia, sensibilidade, romantismo... e o mesmo amor por ti.
De inicio, quanto custou perceber que eramos duas! talvez seriamos mais até... mas as outras, não sei quem são. Somente tenho esta ideia que a sedução é uma arma de guerreiro infatigàvel.
Era ela, e era eu...
De dias previstos roubados, sei que "ela" deles aproveitou.
Tive raiva, a raiva do ciume, a raiva de saber que "ela" là esteve e eu não. Que "ela" te tinha e eu não. Perdição essa de sentir a terra que se abre num vazio do coração. O coração apavorado que bate numa solidão injusta...
Antes era eu, ou era "ela", depois fui eu, e depois foi ela.
Do que escreve entendo tudo, vida tão semelhante nesse amor que não se quer dar.
Viver a mesma coisa sem partilhar porque não posso.
Viver sem ti e sentir sem ti, é a mesma coisa para ela. E bem sei que se a deixaste, foi como quando me deixaste a mim. Vivemos a mesma coisa... sem ti.
No deserto, nada mais se parece com um grão de areia que outro grão de areia; é irremediàvel.
Para nao deixar de amar-te nunca
Saberàs que nao te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.
Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para nao deixar de amar-te nunca:
por isso, nao te amo ainda.
Amo-te e nao te amo
como se tivesse nas minhas maos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.
O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando nao te amo
e por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda
mardi 14 mai 2013
FEITICEIRO
Disse-me um feiticeiro que afinal sou importante para ti.
Disse-me ainda que nada estava perdido.
Que eu tinha que ir aì porque de longe nada se resolveria.
Que eu tinha que conseguir fazer-te passar da tua racionalidade à linguagem do coração... que um dia ou outro ele sò falaria por ti, falando de nòs.
Que por enquanto tinhas medo, medo de sair da tua gaiola doirada, medo de decepções, medo do que viesse de desconhecido.
Falou-me ainda o feiticeiro que este Inverno traria "acidentes" familiares, que estavas a chegar ao fim do que é suportàvel, que te faltava o ar...
Disse-me o feiticeiro que a impaciência seria minha inimiga, que entre nòs havia algo de jà escrito e previsto, que tinha que dar tempo ao tempo. Que eras também o meu anjo da guarda.
Que és meu anjo jà eu sabia.
Que algo està escrito jà eu sentia.
Mas não sei como agir, que fazer, que dizer que esperar.
Os dias passam e não sei onde vou tentando porém perceber as razões da tua racionalidade.
Disse-me o feiticeiro que eu nunca devia duvidar...
Mas,
A tua racionalidade não serà antes um não-amor?
A compreensão que isto não dà, não pode dar nada?
Que sem meios, e eu não os tenho, e se calhar nem tu, achas que nada se farà...
E adiante?
Pudesse o céu dizer-me como agir, porque falar sò do coração é capaz de me perder!
Serà que pode?
Disse-me ainda que nada estava perdido.
Que eu tinha que ir aì porque de longe nada se resolveria.
Que eu tinha que conseguir fazer-te passar da tua racionalidade à linguagem do coração... que um dia ou outro ele sò falaria por ti, falando de nòs.
Que por enquanto tinhas medo, medo de sair da tua gaiola doirada, medo de decepções, medo do que viesse de desconhecido.
Falou-me ainda o feiticeiro que este Inverno traria "acidentes" familiares, que estavas a chegar ao fim do que é suportàvel, que te faltava o ar...
Disse-me o feiticeiro que a impaciência seria minha inimiga, que entre nòs havia algo de jà escrito e previsto, que tinha que dar tempo ao tempo. Que eras também o meu anjo da guarda.
Que és meu anjo jà eu sabia.
Que algo està escrito jà eu sentia.
Mas não sei como agir, que fazer, que dizer que esperar.
Os dias passam e não sei onde vou tentando porém perceber as razões da tua racionalidade.
Disse-me o feiticeiro que eu nunca devia duvidar...
Mas,
A tua racionalidade não serà antes um não-amor?
A compreensão que isto não dà, não pode dar nada?
Que sem meios, e eu não os tenho, e se calhar nem tu, achas que nada se farà...
E adiante?
Pudesse o céu dizer-me como agir, porque falar sò do coração é capaz de me perder!
Serà que pode?
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| Escreve a palavra... |
Sobre a Palavra
Entre a folha branca e o gume do olhar
a boca envelhece
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água
a boca envelhece
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água
jeudi 9 mai 2013
BRINCADEIRA
Um olhar, um sorriso
brincas tu
brinco eu
Quem não tiver juízo, perdeu...
Um sabor, um aceno
provas tu
provo eu
Quem beber o veneno, morreu...
Ai esta brincadeira, este arame sem rede...
Esta chuva ligeira que nunca mata a sede...
Ai de quem não souber que o segredo, o mistério
é não levar a sério o que é só um prazer...
Com champanhe na voz
falas tu
falo eu
Se falámos de nós, não pareceu...
Em matizes de charme
brilhas tu
brilho eu
Atenção, se um alarme apareceu...
Ai este jogo antigo, traiçoeira delícia...
Entre sinais de perigo é preciso perícia...
Quem brincar com o fogo não se deixe queimar:
Prometer e não dar é a regra do jogo!
brincas tu
brinco eu
Quem não tiver juízo, perdeu...
Um sabor, um aceno
provas tu
provo eu
Quem beber o veneno, morreu...
Ai esta brincadeira, este arame sem rede...
Esta chuva ligeira que nunca mata a sede...
Ai de quem não souber que o segredo, o mistério
é não levar a sério o que é só um prazer...
Com champanhe na voz
falas tu
falo eu
Se falámos de nós, não pareceu...
Em matizes de charme
brilhas tu
brilho eu
Atenção, se um alarme apareceu...
Ai este jogo antigo, traiçoeira delícia...
Entre sinais de perigo é preciso perícia...
Quem brincar com o fogo não se deixe queimar:
Prometer e não dar é a regra do jogo!
GOTA DE OCEANO
A amizade é um amor que nunca morre.
A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe,
alguns descobrem, mas poucos reconhecem.
A amizade quando é sincera o esquecimento é impossível
A confiança, tal como a arte, não deriva de termos resposta para tudo, mas,
de estarmos abertos a todas as perguntas.
A dor alimenta a coragem. Você não pode ser corajoso se só aconteceram
coisas maravilhosas com você.
A esperança é um empréstimo pedido à felicidade.
A felicidade não é um prêmio, e sim uma conseqüência,
a solidão não é um castigo, e sim um resultado.
A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que
percorremos para encontrá-la.
A gente tropeça sempre nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga.
A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.
A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.
A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar.
A maior fraqueza de uma pessoa é trocar aquilo que ela mais deseja na vida, por aquilo que ele deseja no momento.
A persistência é o caminho do êxito.
A pior solidão é aquela que se sente na companhia de outros.
A SOLIDÃO É UMA GOTA NO OCEANO QUE SÓ OLHA PARA SI MESMA... UMA GOTA QUE NÃO SABE QUE É OCEANO...
Amigos são a outra parte do oceano que a gota procura...
A tua única obrigação durante toda a tua existência
é seres verdadeiro para contigo próprio.
A verdadeira amizade deixa marcas positivas que o tempo jamais poderá apagar.
A verdadeira amizade é aquela que não pede nada em troca, a não ser a própria amiga.
A verdadeira generosidade é fazer alguma coisa de bom por alguém
que nunca vai descobrir.
A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si.
Algumas pessoas acham-se cultas porque comparam sua ignorância com as dos outros.
Amigo de verdade é aquele que transforma um pequeno momento em um grande instante.
Amigo é a luz que não deixa a vida escurecer.
Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você!
Amigo é aquele que nos faz sentir melhor e sobre tudo nos faz sentir amados...
Amigo é aquele que, a cada vez, nos faz entrever
a meta e que percorre conosco um trecho do caminho
Amigos são como flores cada um tem o seu encanto por isso cultive-os.
Amizade é como música: duas cordas afinadas no mesmo tom, vibram juntas...
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras coisas materiais... Deve ser guardada e conservada no coração!!!
As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas,
dando-lhes sempre algum significado.
Diante de um obstáculo não cruzes os braços, pois o maior
homem do mundo morreu de braços abertos.
Elogie os amigos em público, critique em particular.
Errar é humano, perdoar é divino.
Evitar a felicidade com medo que ela acabe; é o melhor meio de ser infeliz.
Faça amizade com a bondade das pessoas, nunca com seus bens!
Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
Érico Veríssimo
A amizade é uma virtude que muitos sabem que existe,
alguns descobrem, mas poucos reconhecem.
A amizade quando é sincera o esquecimento é impossível
A confiança, tal como a arte, não deriva de termos resposta para tudo, mas,
de estarmos abertos a todas as perguntas.
A dor alimenta a coragem. Você não pode ser corajoso se só aconteceram
coisas maravilhosas com você.
A esperança é um empréstimo pedido à felicidade.
A felicidade não é um prêmio, e sim uma conseqüência,
a solidão não é um castigo, e sim um resultado.
A felicidade não está no fim da jornada, e sim em cada curva do caminho que
percorremos para encontrá-la.
A gente tropeça sempre nas pedras pequenas, porque as grandes a gente logo enxerga.
A glória da amizade não é a mão estendida, nem o sorriso carinhoso, nem mesmo a delicia da companhia. É a inspiração espiritual que vem quando você descobre que alguém acredita e confia em você.
A infelicidade tem isto de bom: faz-nos conhecer os verdadeiros amigos.
A inteligência é o farol que nos guia, mas é a vontade que nos faz caminhar.
A maior fraqueza de uma pessoa é trocar aquilo que ela mais deseja na vida, por aquilo que ele deseja no momento.
A persistência é o caminho do êxito.
A pior solidão é aquela que se sente na companhia de outros.
A SOLIDÃO É UMA GOTA NO OCEANO QUE SÓ OLHA PARA SI MESMA... UMA GOTA QUE NÃO SABE QUE É OCEANO...
Amigos são a outra parte do oceano que a gota procura...
A tua única obrigação durante toda a tua existência
é seres verdadeiro para contigo próprio.
A verdadeira amizade deixa marcas positivas que o tempo jamais poderá apagar.
A verdadeira amizade é aquela que não pede nada em troca, a não ser a própria amiga.
A verdadeira generosidade é fazer alguma coisa de bom por alguém
que nunca vai descobrir.
A verdadeira liberdade é poder tudo sobre si.
Algumas pessoas acham-se cultas porque comparam sua ignorância com as dos outros.
Amigo de verdade é aquele que transforma um pequeno momento em um grande instante.
Amigo é a luz que não deixa a vida escurecer.
Amigo é aquele que conhece todos os seus segredos e mesmo assim gosta de você!
Amigo é aquele que nos faz sentir melhor e sobre tudo nos faz sentir amados...
Amigo é aquele que, a cada vez, nos faz entrever
a meta e que percorre conosco um trecho do caminho
Amigos são como flores cada um tem o seu encanto por isso cultive-os.
Amizade é como música: duas cordas afinadas no mesmo tom, vibram juntas...
Amizade, palavra que designa vários sentimentos, que não pode ser trocada por meras coisas materiais... Deve ser guardada e conservada no coração!!!
As pessoas entram em nossas vidas por acaso, mas não é por acaso que elas permanecem.
Celebrar a vida é somar amigos, experiências e conquistas,
dando-lhes sempre algum significado.
Diante de um obstáculo não cruzes os braços, pois o maior
homem do mundo morreu de braços abertos.
Elogie os amigos em público, critique em particular.
Errar é humano, perdoar é divino.
Evitar a felicidade com medo que ela acabe; é o melhor meio de ser infeliz.
Faça amizade com a bondade das pessoas, nunca com seus bens!
Felicidade é a certeza de que a nossa vida não está se passando inutilmente.
DELICIOSO MENTIROSO
Muito caminho se percorreu até aqui. Sonhei mais coisas do que aquelas que realmente aconteceram. Mas daquelas que houve de verdade, retenho o melhor. Unicamente.
Da minha solidao, fizeste uma multidao.
Das minhas carências, fizeste com que nada me faltasse.
E depois fugiste.
...
Tantas tretas que contaste. Maravilhosas mentiras que me levaram tao longe. Como nao te agradecer?
Es assim mesmo, de nada serve pensar que seria de outra maneira.
Leste nos mais profundos dos meus pensamentos para me dar o que te parecia faltar-me.
E habituei-me a tanto mimo teu.
E depois fugiste.
...
Quanto amor aqui houve. Nao daquele que dura, mas a essência daquele que é o mais precioso. Que dura tao pouco porque depois se estraga. Subimos aos cimos, levaste-me pela mao, cada dia. Com uma atençao que nunca tinha conhecido.
Fizeste de mim princesa e foi tao gostoso.
E depois fugiste
...
De todas as mentiras que disseste esqueceste uma verdade que nunca pudeste enunciar. Amaste-me como te amei...
È depois, fugiste!
Dà-me mais dessas tuas mentiras que levam às estrelas!
Desta vez, prometo, saberei que mentes e é nisso que acredito.
Nas tuas deliciosas mentiras.
Ai quem me dera uma feliz mentira que fosse uma verdade para mim!
Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?
Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!
Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito...
Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
Da minha solidao, fizeste uma multidao.
Das minhas carências, fizeste com que nada me faltasse.
E depois fugiste.
...
Tantas tretas que contaste. Maravilhosas mentiras que me levaram tao longe. Como nao te agradecer?
Es assim mesmo, de nada serve pensar que seria de outra maneira.
Leste nos mais profundos dos meus pensamentos para me dar o que te parecia faltar-me.
E habituei-me a tanto mimo teu.
E depois fugiste.
...
Quanto amor aqui houve. Nao daquele que dura, mas a essência daquele que é o mais precioso. Que dura tao pouco porque depois se estraga. Subimos aos cimos, levaste-me pela mao, cada dia. Com uma atençao que nunca tinha conhecido.
Fizeste de mim princesa e foi tao gostoso.
E depois fugiste
...
De todas as mentiras que disseste esqueceste uma verdade que nunca pudeste enunciar. Amaste-me como te amei...
È depois, fugiste!
Dà-me mais dessas tuas mentiras que levam às estrelas!
Desta vez, prometo, saberei que mentes e é nisso que acredito.
Nas tuas deliciosas mentiras.
| Hà uma luz por tràs da escuridao |
Ai quem me dera uma feliz mentira que fosse uma verdade para mim!
Tu julgas que eu não sei que tu me mentes
Quando o teu doce olhar pousa no meu?
Pois julgas que eu não sei o que tu sentes?
Qual a imagem que alberga o peito meu?
Ai, se o sei, meu amor! Em bem distingo
O bom sonho da feroz realidade...
Não palpita d´amor, um coração
Que anda vogando em ondas de saudade!
Embora mintas bem, não te acredito;
Perpassa nos teus olhos desleais
O gelo do teu peito de granito...
Mas finjo-me enganada, meu encanto,
Que um engano feliz vale bem mais
Que um desengano que nos custa tanto!
Florbela Espanca, in "A Mensageira das Violetas"
mardi 7 mai 2013
MEUS AIS
Não deverias desprezar-me como fazes.
Não mereço, é injusto. Porque te dei o que querias, jà não presto, jà não sou.
Nunca fui de facto. Inventei-te e vieste dar o que eu te daria que querias de volta.
Não conto.
Não existo.
Não me deixes assim, com esta dor que é sò minha porque me a deste tu e jà não me a queres tirar.
Não me deixes assim perdida e tão sò que sò tu soubeste o que devia ser dado.
Não me tires tudo... sem ti, não me fica nada!
| Quando a escuridão quer devorar a luz |
Perdoa-me, visão dos meus amores,
Se a ti ergui meus olhos suspirando!…
Se eu pensava num beijo desmaiando
Gozar contigo uma estação de flores!
De minhas faces os mortais palores,
Minha febre noturna delirando,
Meus ais, meus tristes ais vão revelando
Que peno e morro de amorosas dores…
Morro, morro por ti! na minha aurora
A dor do coração, a dor mais forte,
A dor de um desengano me devora…
Sem que última esperança me conforte,
Eu – que outrora vivia! – eu sinto agora
Morte no coração, nos olhos morte!
Álvares de Azevedo
lundi 21 janvier 2013
CHEGAR AO FIM
Não hà que se enganar. Os caminhos da vida bifurcam. Cada momento, cada fase, acontecem num troço preciso. Hà curvas, vales e montes. Caminhamos pelo mesmo traçado enquanto uma historia por là nos leva.
Um dia, percebemos que a estrada bifurca. Podemos ficar parados no meio a pensar se o que segue serà melhor optando por um lado ou antes por outro. Em frente jà não dà. São momentos por vezes dificeis em que se tem aquela sensação que nada mais acontece e que uma decisão se impõe. Mas não se consegue decidir. São horas de sono roubado, defeitos de energia no dia a dia. A decisão nem sempre logo aparece.
Mas um dia tudo se esclarece. Sabemos definitivamente que o que foi vivido jà foi, jà não serà. E vamos pensando que se não se faz nada, fica-se ali encurralado num espaço porém aberto mas com a certeza que se està no fundo de um poço. E o tempo a passar sem nòs.
Decidir algo surge como uma urgência de que depende o que virà.
Remeter-se ao destino e escolher o novo caminho mesmo sem certeza que serà o bom.
O tempo dirà. O tempo constròi o que està para vir e vai esvanecendo o que se deixa para tràs.
Quando se chega ao fim, hà que recomeçar. Todos sabemos isso um dia.
Acho que estou pronta.
Vida, vida, vida leva-me agora!
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.
Ricardo Reis
Um dia, percebemos que a estrada bifurca. Podemos ficar parados no meio a pensar se o que segue serà melhor optando por um lado ou antes por outro. Em frente jà não dà. São momentos por vezes dificeis em que se tem aquela sensação que nada mais acontece e que uma decisão se impõe. Mas não se consegue decidir. São horas de sono roubado, defeitos de energia no dia a dia. A decisão nem sempre logo aparece.
Mas um dia tudo se esclarece. Sabemos definitivamente que o que foi vivido jà foi, jà não serà. E vamos pensando que se não se faz nada, fica-se ali encurralado num espaço porém aberto mas com a certeza que se està no fundo de um poço. E o tempo a passar sem nòs.
Decidir algo surge como uma urgência de que depende o que virà.
Remeter-se ao destino e escolher o novo caminho mesmo sem certeza que serà o bom.
O tempo dirà. O tempo constròi o que està para vir e vai esvanecendo o que se deixa para tràs.
Quando se chega ao fim, hà que recomeçar. Todos sabemos isso um dia.
Acho que estou pronta.
Vida, vida, vida leva-me agora!
| Traçar caminhos mesmo longìnquos |
Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.
Ricardo Reis
lundi 14 janvier 2013
CULPA
"Ninguém deve culpar-se pelo que sente.
Não somos responsàveis pelo que o nosso corpo deseja
mas sim
pelo que fizemos com ele!"
E. Verissimo
mercredi 9 janvier 2013
ESTREMECIMENTO
Tinha esquecido este pormenor.
A um certo nivel, a sociedade portuguesa, a boa sociedade entenda-se, é um mundo de hipocrisia, de cinismo, de mentira e de cobardia.
Promessas que não se cumprem é pão do dia a dia. E se não se promete, deixa-se pensar, faz-se acreditar. No fundo é exactamente a mesma coisa.
Não é a desilusão que me tràs estes pensamentos. E a memoria que volta. Como é que eu pude esquecer que nessa terra se confunde boa educação com esses atributos todos?
O que seria se a boa educação fosse unicamente uma maneira de melhor viver com os outros? Numa logica de respeito e de consideração? Um amor da verdade, aquela que se diz sem contornos e que permite a cada um saber como contar com o outro, sem pareceres nem artificios.
Seria tão mais fàcil!
A um certo nivel, a sociedade portuguesa, a boa sociedade entenda-se, é um mundo de hipocrisia, de cinismo, de mentira e de cobardia.
Promessas que não se cumprem é pão do dia a dia. E se não se promete, deixa-se pensar, faz-se acreditar. No fundo é exactamente a mesma coisa.
Não é a desilusão que me tràs estes pensamentos. E a memoria que volta. Como é que eu pude esquecer que nessa terra se confunde boa educação com esses atributos todos?
O que seria se a boa educação fosse unicamente uma maneira de melhor viver com os outros? Numa logica de respeito e de consideração? Um amor da verdade, aquela que se diz sem contornos e que permite a cada um saber como contar com o outro, sem pareceres nem artificios.
Seria tão mais fàcil!
Mas, francamente: fé em quê?
Num mundo que almoça valores,
janta valores,
ceia valores,
e os degrada cinicamente, sem qualquer estremecimento da consciência?
Peçam-me tudo, menos que tape os olhos.
Bem basta quando a terra nos cobrir!
Miguel Torga
samedi 5 janvier 2013
CORAGEM
Súplica
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga
Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.
Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
samedi 29 décembre 2012
SER O QUE NÃO SE É
"Hipocrisia: Homenagem que o vicio presta à virtude" - La Rochefoucault
Hipocrita: Pessoa que oculta a realidade atras de uma mascara de aparência
Que outro nome poderia ter aquele que convidou alguém para a sua vida, anunciando que o que havia estava gasto, usado, nunca dizendo abertamente que a ideia não era de recomeçar mas que ofereceu o que o outro esperava e ao qual não deu seguimento?
Que outro nome lhe dar quando se sabe que, apesar do que nos fez crer, se està longe de se ser a unica?
"Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria institucionalizada" M. Medeiros
"Ninguém é o que parece" - E. Verissimo
Hipocrita: Pessoa que oculta a realidade atras de uma mascara de aparência
Que outro nome poderia ter aquele que convidou alguém para a sua vida, anunciando que o que havia estava gasto, usado, nunca dizendo abertamente que a ideia não era de recomeçar mas que ofereceu o que o outro esperava e ao qual não deu seguimento?
Que outro nome lhe dar quando se sabe que, apesar do que nos fez crer, se està longe de se ser a unica?
"Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria institucionalizada" M. Medeiros
"Ninguém é o que parece" - E. Verissimo
vendredi 28 décembre 2012
DESEJO E REALIDADES
Eu quero adormecer nos teus braços
esta noite, a de amanhã
e todas as outras que virão.
Sentir que estàs comigo e em mim
Sermos dois e sermos um sò.
Disfrutar o que somos
apreciar cada momento e gravà-lo
sentir as tuas mãos no corpo que te ofereço
perder-me nesse momento
para melhor te encontrar!
Tenho andado a pensar. Muito. Demasiado. Espero que destes pensamentos possam surgir verdades e certezas daquelas que me ajudarão a viver com "isto", talvez esquecer o que falta, o que doì, o que impede de avançar.
Tenho agora a certeza que não é vida nova que procuras. Aliàs penso que não procuras nada de verdade. Colhes. Vais colhendo sementes que lançaste tu proprio e delas fazes o teu jardim. Secreto. Tão secreto.
Porque não escolhes colher uma flor que seja tua. Unica. Colhes ramos que te enfeitam a vida; quando murcham, fazes outros. Não é por mal, não é defeito. E sò assim.
Não procuras substituir a flor que tens que dizes a quem quer ouvir que jà não serve. Não. Essa vais guardà-la e enganando uns e outros vais colhendo outras.
E uma maneira de ver e fazer as coisas. Não consigo aprovar!
Deixar para tràs o que jà não serve, não é desrespeitar o que houve. E guardà-lo porque foi vivido. Mas não dar à nova flor colhida o lugar que merece, isso sim é desrespeito. Sobretudo quando, sem nunca nada prometer, fazes sentir a cada uma delas que é ùnica.
Tudo isso merece transformação. Se não vier de ti, tem que vir de mim. Hà que arregaçar as mangas, hà trabalho!
| Est-ce moi ou pour moi cette fleur que tu as cueillie? |
Avoir le courage de regarder avec mansuétude tout ce qu'il y a en nous, parce que tout en nous est une matière brute qui ne souhaite que se transformer, jusqu'à ce qu'apparaisse, à travers toutes les ombres, dans une lumière toujours plus pure, l'image de ce que nous sommes dans notre vérité.
Et je veux m'endormir dans tes bras
cette nuit, celle de demain
et toutes celles qui viendront.
Te sentir avec et en moi
Etre deux et faire un seul.
Et demeurer ainsi!
lundi 24 décembre 2012
PASSADO TAO PRESENTE SEM FUTURO
E apareceste vindo do passado
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.
Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.
Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
vendredi 21 décembre 2012
TANTO QUERO
Eu queria que me amasses como eu te amo.
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.
Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,
E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,
Aqui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,
Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura
De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...
Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,
Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?
F. Pessoa, in 'Cancioneiro'
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.
| Aqui ou algures onde te espero |
Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,
E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,
Aqui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,
Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura
De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...
Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,
Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?
F. Pessoa, in 'Cancioneiro'
jeudi 20 décembre 2012
RÊVES ET DÉBRIS
Nul besoin de me sentir autant trahie
ce que je piétine désormais sont des débris.
Ceux de tout ce que j'ai fais ou cru faire
Des rêves détruits, si éphémères.
Ces morceaux de ce que je suis
Ceux sur lesquels j'ai construis ma vie
Sont les restes de mes souhaits les plus chers
Dont le goût est inexorablement amer.
J'ai tant cherché l'amour, ce fil de vie,
donnant tout à ceux qui me priaient un oui;
promettant d'aller aux plus lointaines contrées,
mais ils ne m'ont laissé que quelques doux secrets.
À qui la faute si j'ai rendus mouvants
les sables blonds des plages de mon enfance?
Des rêves en tête et tant d'insousiance,
c'était ainsi ma quête de l'amour que j'attends.
Puissent le ciel, les anges, la mer et encore
pour que je trouve enfin ce fameux trésor
me redonner la direction certaine
de ce grain de vie qui serait mon aubaine.
Prière fervente pour ce qu'il me reste à venir:
Ô mes guides montrez-moi le chemin vers mon désir
car je ne saurais, ne pourrais m'imaginer perdue
et vous promets de gravir les sentiers les plus ardus!
ce que je piétine désormais sont des débris.
Ceux de tout ce que j'ai fais ou cru faire
Des rêves détruits, si éphémères.
Ces morceaux de ce que je suis
Ceux sur lesquels j'ai construis ma vie
Sont les restes de mes souhaits les plus chers
Dont le goût est inexorablement amer.
J'ai tant cherché l'amour, ce fil de vie,
donnant tout à ceux qui me priaient un oui;
promettant d'aller aux plus lointaines contrées,
mais ils ne m'ont laissé que quelques doux secrets.
À qui la faute si j'ai rendus mouvants
les sables blonds des plages de mon enfance?
Des rêves en tête et tant d'insousiance,
c'était ainsi ma quête de l'amour que j'attends.
Puissent le ciel, les anges, la mer et encore
pour que je trouve enfin ce fameux trésor
me redonner la direction certaine
de ce grain de vie qui serait mon aubaine.
Prière fervente pour ce qu'il me reste à venir:
Ô mes guides montrez-moi le chemin vers mon désir
car je ne saurais, ne pourrais m'imaginer perdue
et vous promets de gravir les sentiers les plus ardus!
| et pourtant, j'y crois encore! |
Mais toute puissance sur terre
Meurt quand l’abus en est trop grand,
Et qui sait souffrir et se taire
S’éloigne de vous en pleurant.
Meurt quand l’abus en est trop grand,
Et qui sait souffrir et se taire
S’éloigne de vous en pleurant.
Quel que soit le mal qu’il endure,
Son triste rôle est le plus beau.
J’aime encor mieux notre torture
Son triste rôle est le plus beau.
J’aime encor mieux notre torture
A.de Musset
mercredi 19 décembre 2012
ENCURRALADA
| Se me levasses para o cimo |
Como uma dansa.
Um passo em frente, outro para o lado, dois ou três para tràs... ou pausa no movimento.
Mas falta o esquema da coreografia. E perfeitamente aleatoria e destabiliza.
Como uma dansa.
Palavras que fazem bem, outras mais banais. Mas o que doi é o silêncio porque não se percebe porque vem e se instala.
Seria tão claro se soubesse onde se escondem essas emoções contradictorias. Avançar, recuar para no final mudar sò o dia.
Com algum fetichismo, hà dias que me enfeito. Uma joia diferente, uma côr desigual. Pensaria que algo exterior à tua unica vontade poderia influenciar o que me dàs, o que não me dàs. Recuperar o que me tiraste depois de ter dado tanto! Nada acontece; tudo desacontece. Uma malha retirada que arrasta as outras todas para que no final não sobre nada.
O espaço continua vasto e tão vazio. Empurrei os muros do meu quotidiano para te deixar entrar, dar-te o ar que pedias e a atenção que exigias. Encheste e preencheste. O que farei agora? Não te posso substituir e também não quero. Não te podes apegar... e também não queres. Este caminho é um bêco e não consigo voltar para tràs, alcançar a saìda, libertar-me e o que hà em frente é uma muralha intransponìvel, poderosa, indestructivel.
Onde estarà a salvação? Salvar-me de ti que não me queres, salvar-me de mim que não me suporto.
Sem saìda.
Cansada de procurar a luz, vou esperando e definhando a esperança que ainda tenho que me ajudes a voar!
Saudades!
Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim
F. Espanca
mardi 18 décembre 2012
TOUJOURS
![]() |
| A chaque crépuscule, quelque chose tourne... |
Nous possédons des forces inimaginables. Notre pensée renferme à elle seule tout l'univers parce que nous sommes capables de le penser, de l'imaginer, d'en créer les moindres détails. Nous en sommes les maîtres; il suffit de le vouloir. Mais cette force n'est pas toujours ni maitrisée ni maitrisable. Elle émerge durant quelques instants à des moments précis de notre existence et parfois, sans le vouloir, nous passons à côté des opportunités que ces éclairs de lucidité nous ouvrent.
Cette force m'est donnée lorsque j'aime et que l'on m'aime en retour. L'amour est un guide, une énergie qui m'est transmise par le seul regard de l'autre. Les mots associés en sont les vecteurs.
Dans cette échelle de valeurs, il est des jours où je suis écrasée par la douleur, d'autres où un soulagement me permet de respirer un peu, d'autres encore où je me sens invincible. Il est difficile de naviguer ainsi entre des états aussi opposés sans que l'on sache vraiment pourquoi nous nous y trouvons. Un détail de la veille, un autre de l'instant, et tout peut basculer d'un extrême à un autre. Je ne maîtrise pas. Qui le pourrait? Encore faudrait-il se ranger à une racionalité sans faille, une intelligence de son moi totalement encadrée. je n'en suis pas capable. Si je l'étais, j'imagine que tout cela serait infondé.
Ecouter un mot. le comprendre, l'interpréter, le ramener d'une part au profit de nos souhaits les plus vitaux. Ou bien, le laisser nous rabaisser, nous avachir, détruire le peu que l'on avait réussi à ériger. Ne serait-ce là mettre à mauvais profit notre intelligence? L'intelligence du coeur est trop fluide et nuancée lorsque comparée à celle de notre seule pensée. Que faire lorsque notre pensée est l'otage de nos sentiments et que tout se brouille comme une émission parasitée?
Trop de questions. J'aurais envie de me laisser couler dans le quotidien, aussi morne soit-il. J'y parviens parfois seulement. Parfois parce que au delà de se laisser aller, les souvenirs viennent taper comme des massues assomantes, des lances pointues qui transpercent les tripes. La douleur est là. Comme un baromètre affolé par tant de variations, il est impossible dès lors de garder sa sérénité.
Alors je me fais un voeu et je voudrais que mes anges me l'octroient: Si je ne peux atteindre le souhait le plus fervent qui serait de conquérir le sommet de cette montagne que tu représentes (et je me comprends), alors que je puisse oublier à quel point ce souhait m'est urgent!
Mais, quoi qu'il arrive:
Tu seras toujours avec moi.
Je t'emmènerai en te prenant la main
voir toutes les aurores et leur crépuscule
comme la promesse que dans chaque jour achevé
nous ne nous manquerons plus
... il n'y aura plus lieu!
D'une façon
ou d'une autre.
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