mardi 26 mai 2015

A culpa é...

A culpa é da solidão.

Da ultima carta ficou-me a ideia de uma espera, um interludio programado, necessàrio, para preparar o melhor que estava para vir.
A culpa é da (in)credulidade.
Parecia-me impossivel, inimaginàvel que a "nossa història" ficaria por aì.
O futuro provou que quase tinha razão.

A culpa é do quase.

Quase revivemos a magia da primeira vez. Houve a de Paris. Outra estrela que (quase) tocàmos. Mas quem sobe às estrelas aos meandros vai parar!
A culpa é dos meandros.

E
Outra vez a solidão.
Outra vez a (in)credulidade.
Outra vez o quase.
Outra vez os meandros.

Onde fui inventar um destino que não me foi destinado? A culpa é da solidão...
Onde fui imaginar que havia perspectivas? A culpa é da (in)credulidade...
Onde fui buscar que cada intenção do momento teria alcance longinquo e perene? A culpa é do quase...
Onde fui parar? Ao vazio do fogo ausente. Ao oco da alma que me alberga.
Aos meandros... esse sitio do nada, do que doi, do objectivo inexistente, do "não estàs".

Não estàs!
E não podes varrer a solidão...
E não podes desmentir a (in)credulidade...
E não podes dar seguimento ao quase...
E não me podes livrar dos meandros!

Pensei que me cativavas par me ter, contigo.
Que serias a mão que leva e o ombro que ampara.
Pensei. Que o destino se cumpria.

Voltei à solidão em que me encontraste.
Voltei à (in)credulidade que os actos não refletem as palavras nem que as palavras refletem os actos.
Voltei à ideia de que quase aconteceu.
E voltei aos meandros onde agora sòmente habitam lembranças,
com sabor a "nunca mais"!

"Ninguém deve culpar-se pelo que sente.
Não somos responsàveis pelo que o nosso corpo deseja
mas sim
pelo que fizemos com ele!"

samedi 13 septembre 2014

Amor tão grande que... não é!

Hoje, estou cheia de saudades tuas.
Numa historia que afinal não existe tens papel de protagonista. As horas parisienses foram um momento roubado à realidade e se assim é, quero sempre ser ladrão.
Faço o que nunca fiz porque não são coisas minhas, mas contigo farei sempre. Se és mentiroso, serei uma das tuas mentiras.
Estar contigo é parar o tempo mesmo se para ti sou detalhe sem realce. Pouco me importa! A historia foi mal contada desde o inicio mas fez-me sentir viva. Isso não tem preço embora seja estranho e frustrante.
Guardo intacta a memoria do que foi provado e a saudade de saber que o que foi jà não é e não serà mais.
Mas que foi bom, foi mesmo!

Se não disse nada não foi porque nada senti, se nada ou pouco mostrei não foi porque não me importo.

Guardo tudo, intacto e secreto.

... é que não tenho ninguém para pôr no teu lugar. E que te amo é a realidade que tenho que enfrentar dia apòs dia, a cada hora que tento preencher com pequenas coisas que fazem correr o tempo. E viver com isto.

Meu amor, que não posso chamar-te; Quero-te e não te posso ter, nem se fosses livre.

mardi 6 mai 2014

LA VOILA

De toutes les décisions, de tous les choix que j'ai dû faire dans la vie, je t'ai toujours craint. Tu pénètres, insidieuse et sournoise, d'abord sur la pointe des pieds puis de plus en plus présente, tu t'assoies et t'installes sans retenue, dépourvue de pudeur. Tu t'étales, t'insinues,te déverses.
Tu peux être source de sérénité quand je t'invoque et te provoque.
Aujourd'hui tu es venue sans que je t'appelle. Comme un hôte abusif et désinvolte, tu viens sans que je t'invite.
Tu me mines, me détruits telle un envahisseuse dont le ravage anéantit mes espoirs.
Avec toi, si présente, c'est comme si j'avais tout perdu. Tu ériges des barrières partout dans mes pensées m'empêchant même de m'accrocher à quelque rêve qui me permettrait de te fuir.
Tu me fais peur.


Que minha solidão me sirva de companhia.
que eu tenha a coragem de me enfrentar.
que eu saiba ficar com o nada
e mesmo assim me sentir
como se estivesse plena de tudo.

Clarice Lispector

vendredi 25 avril 2014

LES MOTS DU BONHEUR

Les mots du bonheur ont ils pu être des leurres? Lorsque j'écoute, je lis les mots de l'autre, quelles que soient les circonstances, peut-on absolument se tromper sur leur sens?
Ils m'avaient pourtant été donnés comme des cadeaux. Je les avait reçus comme un présent - départ pour un avenir. Ils avaient été donnés comme autant d'indices menant vers un chemin que je rêvais d'emprunter.
J'y repense sans cesse. Difficile d'admettre, malgré la tournure que le temps a donné à notre histoire, que tout n'était qu'un simple, méprisable, exercice de séduction. Dieu qu'il est douloureux de penser ainsi!
Est-ce pour me protéger que je me raccroche à un sens qui n'était pas celui donné? Est-ce un repli de l'autre qui comprend à un moment donné qu'il est allé trop loin. Trop loin sur un chemin vers lequel il m'a portée. Puis il fit demi-tour me laissant là. Sans comprendre.
Questions incessantes que je me pose sur ces moments perdus à jamais. Pas vraiment perdus. Je les garde ancrés, comme une marque indélébile.
C'est qu'ils ressemblaient tant à ce que je me réservais!

Para Ti

Foi para ti
que desfolhei a chuva
para ti soltei o perfume da terra
toquei no nada
e para ti foi tudo

Para ti criei todas as palavras
e todas me faltaram
no minuto em que talhei
o sabor do sempre

Para ti dei voz
às minhas mãos
abri os gomos do tempo
assaltei o mundo
e pensei que tudo estava em nós
nesse doce engano
de tudo sermos donos
sem nada termos
simplesmente porque era de noite
e não dormíamos
eu descia em teu peito
para me procurar
e antes que a escuridão
nos cingisse a cintura
ficávamos nos olhos
vivendo de um só
amando de uma só vida

Mia Couto, in "Raiz de Orvalho e Outros Poemas"

vendredi 17 janvier 2014

PROMENADE

Ce matin-là, je décidais de marcher. Juste aller. Sans errer vraiment. Je voulais simplement m'essayer à mettre un pas devant l'autre, sachant juste que j'emprunterais des chemins inconnus, sans savoir vers quel but. Retrouver l'espoir que je pouvais encore avancer. Apercevoir une lueur de ce que ma vie pouvait encore devenir.
L'âme vide, le coeur brisé, je n'avais pas besoin de mes pensées pour faire venir les larmes. Elles sont venues comme ça, sans réfléchir. Le vent glacial me les donnait sans effort. Elles coulaient, douces, simples. Comme un naturel trop plein qui se déverse. Sitôt que je m'en dégageais, d'autres, avides de laisser fuir mon chagrin, coulaient aussitôt.

mercredi 22 mai 2013

VIVER A MESMA COISA

Vou lendo o que "ela" escreve.
Desconhecida que parece que conheço tão bem.
Escrita, fotografia, sensibilidade, romantismo... e o mesmo amor por ti.

De inicio, quanto custou perceber que eramos duas! talvez seriamos mais até... mas as outras, não sei quem são. Somente tenho esta ideia que a sedução é uma arma de guerreiro infatigàvel.
Era ela, e era eu...
De dias previstos roubados, sei que "ela" deles aproveitou.
Tive raiva, a raiva do ciume, a raiva de saber que "ela" là esteve e eu não. Que "ela" te tinha e eu não. Perdição essa de sentir a terra que se abre num vazio do coração. O coração apavorado que bate numa solidão injusta...
Antes era eu, ou era "ela", depois fui eu, e depois foi ela.

Do que escreve entendo tudo, vida tão semelhante nesse amor que não se quer dar.

Viver a mesma coisa sem partilhar porque não posso.

Viver sem ti e sentir sem ti, é a mesma coisa para ela. E bem sei que se a deixaste, foi como quando me deixaste a mim. Vivemos a mesma coisa... sem ti.

No deserto, nada mais se parece com um grão de areia que outro grão de areia; é irremediàvel.



Para nao deixar de amar-te nunca
Saberàs que nao te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.
Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para nao deixar de amar-te nunca:
por isso, nao te amo ainda.
Amo-te e nao te amo
como se tivesse nas minhas maos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.

O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando nao te amo
e por isso te amo quando te amo.

Pablo Neruda


mardi 14 mai 2013

FEITICEIRO

Disse-me um feiticeiro que afinal sou importante para ti.
Disse-me ainda que nada estava perdido.
Que eu tinha que ir aì porque de longe nada se resolveria.
Que eu tinha que conseguir fazer-te passar da tua racionalidade à linguagem do coração... que um dia ou outro ele sò falaria por ti, falando de nòs.
Que por enquanto tinhas medo, medo de sair da tua gaiola doirada, medo de decepções, medo do que viesse de desconhecido.

Falou-me ainda o feiticeiro que este Inverno traria "acidentes" familiares, que estavas a chegar ao fim do que é suportàvel, que te faltava o ar...

Disse-me o feiticeiro que a impaciência seria minha inimiga, que entre nòs havia algo de jà escrito e previsto, que tinha que dar tempo ao tempo. Que eras também o meu anjo da guarda.

Que és meu anjo jà eu sabia.
Que algo està escrito jà eu sentia.
Mas não sei como agir, que fazer, que dizer que esperar.
Os dias passam e não sei onde vou tentando porém perceber as razões da tua racionalidade.

Disse-me o feiticeiro que eu nunca devia duvidar...

Mas,
A tua racionalidade não serà antes um não-amor?
A compreensão que isto não dà, não pode dar nada?
Que sem meios, e eu não os tenho, e se calhar nem tu, achas que nada se farà...
E adiante?

Pudesse o céu dizer-me como agir, porque falar sò do coração é capaz de me perder!
Serà que pode?

Escreve a palavra...

Sobre a Palavra

Entre a folha branca e o gume do olhar
a boca envelhece

Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama

Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura

Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada

Interminavelmente

Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água