Disse-me ainda que nada estava perdido.
Que eu tinha que ir aì porque de longe nada se resolveria.
Que eu tinha que conseguir fazer-te passar da tua racionalidade à linguagem do coração... que um dia ou outro ele sò falaria por ti, falando de nòs.
Que por enquanto tinhas medo, medo de sair da tua gaiola doirada, medo de decepções, medo do que viesse de desconhecido.
Falou-me ainda o feiticeiro que este Inverno traria "acidentes" familiares, que estavas a chegar ao fim do que é suportàvel, que te faltava o ar...
Disse-me o feiticeiro que a impaciência seria minha inimiga, que entre nòs havia algo de jà escrito e previsto, que tinha que dar tempo ao tempo. Que eras também o meu anjo da guarda.
Que és meu anjo jà eu sabia.
Que algo està escrito jà eu sentia.
Mas não sei como agir, que fazer, que dizer que esperar.
Os dias passam e não sei onde vou tentando porém perceber as razões da tua racionalidade.
Disse-me o feiticeiro que eu nunca devia duvidar...
Mas,
A tua racionalidade não serà antes um não-amor?
A compreensão que isto não dà, não pode dar nada?
Que sem meios, e eu não os tenho, e se calhar nem tu, achas que nada se farà...
E adiante?
Pudesse o céu dizer-me como agir, porque falar sò do coração é capaz de me perder!
Serà que pode?
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| Escreve a palavra... |
Sobre a Palavra
Entre a folha branca e o gume do olhar
a boca envelhece
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água
a boca envelhece
Sobre a palavra
a noite aproxima-se da chama
Assim se morre dizias tu
Assim se morre dizia o vento acariciando-te a cintura
Na porosa fronteira do silêncio
a mão ilumina a terra inacabada
Interminavelmente
Eugénio de Andrade, in "Véspera da Água

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