samedi 29 décembre 2012

SER O QUE NÃO SE É

"Hipocrisia: Homenagem que o vicio presta à virtude" - La Rochefoucault
Hipocrita: Pessoa que oculta a realidade atras de uma mascara de aparência

Que outro nome poderia ter aquele que convidou alguém para a sua vida, anunciando que o que havia estava gasto, usado, nunca dizendo abertamente que a ideia não era de recomeçar mas que ofereceu o que o outro esperava  e ao qual não deu seguimento?
Que outro nome lhe dar quando se sabe que, apesar do que nos fez crer, se està longe de se ser a unica?

"Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria institucionalizada" M. Medeiros

"Ninguém é o que parece" - E. Verissimo

vendredi 28 décembre 2012

DESEJO E REALIDADES

Eu quero adormecer nos teus braços
esta noite, a de amanhã
e todas as outras que virão.
Sentir que estàs comigo e em mim
Sermos dois e sermos um sò.

Disfrutar o que somos
apreciar cada momento e gravà-lo
sentir as tuas mãos no corpo que te ofereço
perder-me nesse momento
para melhor te encontrar!

Tenho andado a pensar. Muito. Demasiado. Espero que destes pensamentos possam surgir verdades e certezas daquelas que me ajudarão a viver com "isto", talvez esquecer o que falta, o que doì, o que impede de avançar.
Tenho agora a certeza que não é vida nova que procuras. Aliàs penso que não procuras nada de verdade. Colhes. Vais colhendo sementes que lançaste tu proprio e delas fazes o teu jardim. Secreto. Tão secreto.
Porque não escolhes colher uma flor que seja tua. Unica. Colhes ramos que te enfeitam a vida; quando murcham, fazes outros. Não é por mal, não é defeito. E sò assim.
Não procuras substituir a flor que tens que dizes a quem quer ouvir que jà não serve. Não. Essa vais guardà-la e enganando uns e outros vais colhendo outras.
E uma maneira de ver e fazer as coisas. Não consigo aprovar!
Deixar para tràs o que jà não serve, não é desrespeitar o que houve. E guardà-lo porque foi vivido. Mas não dar à nova flor colhida o lugar que merece, isso sim é desrespeito. Sobretudo quando, sem nunca nada prometer, fazes sentir a cada uma delas que é ùnica.
Tudo isso merece transformação. Se não vier de ti, tem que vir de mim. Hà que arregaçar as mangas, hà trabalho!


Est-ce moi ou pour moi cette fleur que tu as cueillie?

Avoir le courage de regarder avec mansuétude tout ce qu'il y a en nous, parce que tout en nous est une matière brute qui ne souhaite que se transformer, jusqu'à ce qu'apparaisse, à travers toutes les ombres, dans une lumière toujours plus pure, l'image de ce que nous sommes dans notre vérité.

Et je veux m'endormir dans tes bras
cette nuit, celle de demain
et toutes celles qui viendront.
Te sentir avec et en moi
Etre deux et faire un seul.
Et demeurer ainsi!

O meu desejo sò existe porque dele fizeste uma realidade.

lundi 24 décembre 2012

PASSADO TAO PRESENTE SEM FUTURO

E apareceste vindo do passado
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.


Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra: 
Mil camadas de pó disfarçam, véus, 
Estes quarenta rostos desiguais. 
Tão marcados de tempo e macaréus. 

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é: 
Rã fugida do charco, que saltou, 
E no salto que deu, quanto podia, 
O ar dum outro mundo a rebentou. 

Falta ver, se é que falta, o que serei: 
Um rosto recomposto antes do fim, 
Um canto de batráquio, mesmo rouco, 
Uma vida que corra assim-assim. 

J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

vendredi 21 décembre 2012

TANTO QUERO

Eu queria que me amasses como eu te amo.
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.

Aqui ou algures onde te espero


Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego - 
Isso que outrora era, 
Aqui onde, dormindo, 
-Sossego, só sossego- 
Se sente a noite vindo, 

E nada importaria 
-Sossego, só sossego- 
Que fosse antes o dia, 

Aqui, aqui estarei 
-Sossego, só sossego - 
Como no exílio um rei, 

Gozando da ventura 
- Sossego, só sossego - 
De não ter a amargura 

De reinar, mas guardando 
- Sossego, só sossego - 
O nome venerando... 

Que mais quer quem descansa 
- Sossego, só sossego - 
Da dor e da esperança, 

Que ter a negação 
- Sossego, só sossego - 
De todo o coração ? 

F. Pessoa, in 'Cancioneiro'



jeudi 20 décembre 2012

RÊVES ET DÉBRIS

Nul besoin de me sentir autant trahie
ce que je piétine désormais sont des débris.
Ceux de tout ce que j'ai fais ou cru faire
Des rêves détruits, si éphémères.

Ces morceaux de ce que je suis
Ceux sur lesquels j'ai construis ma vie
Sont les restes de mes souhaits les plus chers
Dont le goût est inexorablement amer.

J'ai tant cherché l'amour, ce fil de vie,
donnant tout à ceux qui me priaient un oui;
promettant d'aller aux plus lointaines contrées,
mais ils ne m'ont laissé que quelques doux secrets.

À qui la faute si j'ai rendus mouvants
les sables blonds des plages de mon enfance?
Des rêves en tête et tant d'insousiance,
c'était ainsi ma quête de l'amour que j'attends.

Puissent le ciel, les anges, la mer et encore
pour que je trouve enfin ce fameux trésor
me redonner la direction certaine
de ce grain de vie qui serait mon aubaine.

Prière fervente pour ce qu'il me reste à venir:
Ô mes guides montrez-moi le chemin vers mon désir
car je ne saurais, ne pourrais m'imaginer perdue
et vous promets de gravir les sentiers les plus ardus!

et pourtant, j'y crois encore!


Mais toute puissance sur terre
Meurt quand l’abus en est trop grand,
Et qui sait souffrir et se taire
S’éloigne de vous en pleurant.
Quel que soit le mal qu’il endure,
Son triste rôle est le plus beau.
J’aime encor mieux notre torture
A.de Musset






mercredi 19 décembre 2012

ENCURRALADA

Se me levasses para o cimo
Como uma dansa.
Um passo em frente, outro para o lado, dois ou três para tràs... ou pausa no movimento.
Mas falta o esquema da coreografia. E perfeitamente aleatoria e destabiliza.
Como uma dansa.
Palavras que fazem bem, outras mais banais. Mas o que doi é o silêncio porque não se percebe porque vem e se instala.
Seria tão claro se soubesse onde se escondem essas emoções contradictorias. Avançar, recuar para no final mudar sò o dia.

Com algum fetichismo, hà dias que me enfeito. Uma joia diferente, uma côr desigual. Pensaria que algo exterior à tua unica vontade poderia influenciar o que me dàs, o que não me dàs. Recuperar o que me tiraste depois de ter dado tanto! Nada acontece; tudo desacontece. Uma malha retirada que arrasta as outras todas para que no final não sobre nada.

O espaço continua vasto e tão vazio. Empurrei os muros do meu quotidiano para te deixar entrar, dar-te o ar que pedias e a atenção que exigias. Encheste e preencheste. O que farei agora? Não te posso substituir e também não quero. Não te podes apegar... e também não queres. Este caminho é um bêco e não consigo voltar para tràs, alcançar a saìda, libertar-me e o que hà em frente é uma muralha intransponìvel, poderosa, indestructivel.

Onde estarà a salvação? Salvar-me de ti que não me queres, salvar-me de mim que não me suporto.
Sem saìda.
Cansada de procurar a luz, vou esperando e definhando a esperança que ainda tenho que me ajudes a voar!

Saudades!
Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim
F. Espanca

mardi 18 décembre 2012

TOUJOURS


A chaque crépuscule, quelque chose tourne...

Nous possédons des forces inimaginables. Notre pensée renferme à elle seule tout l'univers parce que nous sommes capables de le penser, de l'imaginer, d'en créer les moindres détails. Nous en sommes les maîtres; il suffit de le vouloir. Mais cette force n'est pas toujours ni maitrisée ni maitrisable. Elle émerge durant quelques instants à des moments précis de notre existence et parfois, sans le vouloir, nous passons à côté des opportunités que ces éclairs de lucidité nous ouvrent.

Cette force m'est donnée lorsque j'aime et que l'on m'aime en retour. L'amour est un guide, une énergie qui m'est transmise par le seul regard de l'autre. Les mots associés en sont les vecteurs.

Dans cette échelle de valeurs, il est des jours où je suis écrasée par la douleur, d'autres où un soulagement me permet de respirer un peu, d'autres encore où je me sens invincible. Il est difficile de naviguer ainsi entre des états aussi opposés sans que l'on sache vraiment pourquoi nous nous y trouvons. Un détail de la veille, un autre de l'instant, et tout peut basculer d'un extrême à un autre. Je ne maîtrise pas. Qui le pourrait? Encore faudrait-il se ranger à une racionalité sans faille, une intelligence de son moi totalement encadrée. je n'en suis pas capable. Si je l'étais, j'imagine que tout cela serait infondé.

Ecouter un mot. le comprendre, l'interpréter, le ramener d'une part au profit de nos souhaits les plus vitaux. Ou bien, le laisser nous rabaisser, nous avachir, détruire le peu que l'on avait réussi à ériger. Ne serait-ce là mettre à mauvais profit notre intelligence? L'intelligence du coeur est trop fluide et nuancée lorsque comparée à celle de notre seule pensée. Que faire lorsque notre pensée est l'otage de nos sentiments et que tout se brouille comme une émission parasitée?

Trop de questions. J'aurais envie de me laisser couler dans le quotidien, aussi morne soit-il. J'y parviens parfois seulement. Parfois parce que au delà de se laisser aller, les souvenirs viennent taper comme des massues assomantes, des lances pointues qui transpercent les tripes. La douleur est là. Comme un baromètre affolé par tant de variations, il est impossible dès lors de garder sa sérénité.

Alors je me fais un voeu et je voudrais que mes anges me l'octroient: Si je ne peux atteindre le souhait le plus fervent qui serait de conquérir le sommet de cette montagne que tu représentes (et je me comprends), alors que je puisse oublier à quel point ce souhait m'est urgent!

Mais, quoi qu'il arrive:
Tu seras toujours avec moi.
Je t'emmènerai en te prenant la main
voir toutes les aurores et leur crépuscule
comme la promesse que dans chaque jour achevé
nous ne nous manquerons plus
... il n'y aura plus lieu!
D'une façon
ou d'une autre.

dimanche 9 décembre 2012

PATIENCE ET LONGUEUR DE TEMPS...

Que de temps faut-il parfois attendre pour qu'une fleur s'épanouisse! Toute plante qui pousse trop vite, se fane aussi rapidement.
Il nous faut laisser, aux autres comme à nous-mêmes, le temps nécessaire au changement.
Mon ange, donnez moi la force de porter jusqu 'au bout mon fardeau, et d'accéder à la conviction confiante que la métamorphose surviendra!