mercredi 19 décembre 2012

ENCURRALADA

Se me levasses para o cimo
Como uma dansa.
Um passo em frente, outro para o lado, dois ou três para tràs... ou pausa no movimento.
Mas falta o esquema da coreografia. E perfeitamente aleatoria e destabiliza.
Como uma dansa.
Palavras que fazem bem, outras mais banais. Mas o que doi é o silêncio porque não se percebe porque vem e se instala.
Seria tão claro se soubesse onde se escondem essas emoções contradictorias. Avançar, recuar para no final mudar sò o dia.

Com algum fetichismo, hà dias que me enfeito. Uma joia diferente, uma côr desigual. Pensaria que algo exterior à tua unica vontade poderia influenciar o que me dàs, o que não me dàs. Recuperar o que me tiraste depois de ter dado tanto! Nada acontece; tudo desacontece. Uma malha retirada que arrasta as outras todas para que no final não sobre nada.

O espaço continua vasto e tão vazio. Empurrei os muros do meu quotidiano para te deixar entrar, dar-te o ar que pedias e a atenção que exigias. Encheste e preencheste. O que farei agora? Não te posso substituir e também não quero. Não te podes apegar... e também não queres. Este caminho é um bêco e não consigo voltar para tràs, alcançar a saìda, libertar-me e o que hà em frente é uma muralha intransponìvel, poderosa, indestructivel.

Onde estarà a salvação? Salvar-me de ti que não me queres, salvar-me de mim que não me suporto.
Sem saìda.
Cansada de procurar a luz, vou esperando e definhando a esperança que ainda tenho que me ajudes a voar!

Saudades!
Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim
F. Espanca

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