"Hipocrisia: Homenagem que o vicio presta à virtude" - La Rochefoucault
Hipocrita: Pessoa que oculta a realidade atras de uma mascara de aparência
Que outro nome poderia ter aquele que convidou alguém para a sua vida, anunciando que o que havia estava gasto, usado, nunca dizendo abertamente que a ideia não era de recomeçar mas que ofereceu o que o outro esperava e ao qual não deu seguimento?
Que outro nome lhe dar quando se sabe que, apesar do que nos fez crer, se està longe de se ser a unica?
"Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria institucionalizada" M. Medeiros
"Ninguém é o que parece" - E. Verissimo
samedi 29 décembre 2012
vendredi 28 décembre 2012
DESEJO E REALIDADES
Eu quero adormecer nos teus braços
esta noite, a de amanhã
e todas as outras que virão.
Sentir que estàs comigo e em mim
Sermos dois e sermos um sò.
Disfrutar o que somos
apreciar cada momento e gravà-lo
sentir as tuas mãos no corpo que te ofereço
perder-me nesse momento
para melhor te encontrar!
Tenho andado a pensar. Muito. Demasiado. Espero que destes pensamentos possam surgir verdades e certezas daquelas que me ajudarão a viver com "isto", talvez esquecer o que falta, o que doì, o que impede de avançar.
Tenho agora a certeza que não é vida nova que procuras. Aliàs penso que não procuras nada de verdade. Colhes. Vais colhendo sementes que lançaste tu proprio e delas fazes o teu jardim. Secreto. Tão secreto.
Porque não escolhes colher uma flor que seja tua. Unica. Colhes ramos que te enfeitam a vida; quando murcham, fazes outros. Não é por mal, não é defeito. E sò assim.
Não procuras substituir a flor que tens que dizes a quem quer ouvir que jà não serve. Não. Essa vais guardà-la e enganando uns e outros vais colhendo outras.
E uma maneira de ver e fazer as coisas. Não consigo aprovar!
Deixar para tràs o que jà não serve, não é desrespeitar o que houve. E guardà-lo porque foi vivido. Mas não dar à nova flor colhida o lugar que merece, isso sim é desrespeito. Sobretudo quando, sem nunca nada prometer, fazes sentir a cada uma delas que é ùnica.
Tudo isso merece transformação. Se não vier de ti, tem que vir de mim. Hà que arregaçar as mangas, hà trabalho!
| Est-ce moi ou pour moi cette fleur que tu as cueillie? |
Avoir le courage de regarder avec mansuétude tout ce qu'il y a en nous, parce que tout en nous est une matière brute qui ne souhaite que se transformer, jusqu'à ce qu'apparaisse, à travers toutes les ombres, dans une lumière toujours plus pure, l'image de ce que nous sommes dans notre vérité.
Et je veux m'endormir dans tes bras
cette nuit, celle de demain
et toutes celles qui viendront.
Te sentir avec et en moi
Etre deux et faire un seul.
Et demeurer ainsi!
lundi 24 décembre 2012
PASSADO TAO PRESENTE SEM FUTURO
E apareceste vindo do passado
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.
Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.
Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
vendredi 21 décembre 2012
TANTO QUERO
Eu queria que me amasses como eu te amo.
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.
Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,
E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,
Aqui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,
Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura
De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...
Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,
Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?
F. Pessoa, in 'Cancioneiro'
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.
| Aqui ou algures onde te espero |
Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego -
Isso que outrora era,
Aqui onde, dormindo,
-Sossego, só sossego-
Se sente a noite vindo,
E nada importaria
-Sossego, só sossego-
Que fosse antes o dia,
Aqui, aqui estarei
-Sossego, só sossego -
Como no exílio um rei,
Gozando da ventura
- Sossego, só sossego -
De não ter a amargura
De reinar, mas guardando
- Sossego, só sossego -
O nome venerando...
Que mais quer quem descansa
- Sossego, só sossego -
Da dor e da esperança,
Que ter a negação
- Sossego, só sossego -
De todo o coração ?
F. Pessoa, in 'Cancioneiro'
jeudi 20 décembre 2012
RÊVES ET DÉBRIS
Nul besoin de me sentir autant trahie
ce que je piétine désormais sont des débris.
Ceux de tout ce que j'ai fais ou cru faire
Des rêves détruits, si éphémères.
Ces morceaux de ce que je suis
Ceux sur lesquels j'ai construis ma vie
Sont les restes de mes souhaits les plus chers
Dont le goût est inexorablement amer.
J'ai tant cherché l'amour, ce fil de vie,
donnant tout à ceux qui me priaient un oui;
promettant d'aller aux plus lointaines contrées,
mais ils ne m'ont laissé que quelques doux secrets.
À qui la faute si j'ai rendus mouvants
les sables blonds des plages de mon enfance?
Des rêves en tête et tant d'insousiance,
c'était ainsi ma quête de l'amour que j'attends.
Puissent le ciel, les anges, la mer et encore
pour que je trouve enfin ce fameux trésor
me redonner la direction certaine
de ce grain de vie qui serait mon aubaine.
Prière fervente pour ce qu'il me reste à venir:
Ô mes guides montrez-moi le chemin vers mon désir
car je ne saurais, ne pourrais m'imaginer perdue
et vous promets de gravir les sentiers les plus ardus!
ce que je piétine désormais sont des débris.
Ceux de tout ce que j'ai fais ou cru faire
Des rêves détruits, si éphémères.
Ces morceaux de ce que je suis
Ceux sur lesquels j'ai construis ma vie
Sont les restes de mes souhaits les plus chers
Dont le goût est inexorablement amer.
J'ai tant cherché l'amour, ce fil de vie,
donnant tout à ceux qui me priaient un oui;
promettant d'aller aux plus lointaines contrées,
mais ils ne m'ont laissé que quelques doux secrets.
À qui la faute si j'ai rendus mouvants
les sables blonds des plages de mon enfance?
Des rêves en tête et tant d'insousiance,
c'était ainsi ma quête de l'amour que j'attends.
Puissent le ciel, les anges, la mer et encore
pour que je trouve enfin ce fameux trésor
me redonner la direction certaine
de ce grain de vie qui serait mon aubaine.
Prière fervente pour ce qu'il me reste à venir:
Ô mes guides montrez-moi le chemin vers mon désir
car je ne saurais, ne pourrais m'imaginer perdue
et vous promets de gravir les sentiers les plus ardus!
| et pourtant, j'y crois encore! |
Mais toute puissance sur terre
Meurt quand l’abus en est trop grand,
Et qui sait souffrir et se taire
S’éloigne de vous en pleurant.
Meurt quand l’abus en est trop grand,
Et qui sait souffrir et se taire
S’éloigne de vous en pleurant.
Quel que soit le mal qu’il endure,
Son triste rôle est le plus beau.
J’aime encor mieux notre torture
Son triste rôle est le plus beau.
J’aime encor mieux notre torture
A.de Musset
mercredi 19 décembre 2012
ENCURRALADA
| Se me levasses para o cimo |
Como uma dansa.
Um passo em frente, outro para o lado, dois ou três para tràs... ou pausa no movimento.
Mas falta o esquema da coreografia. E perfeitamente aleatoria e destabiliza.
Como uma dansa.
Palavras que fazem bem, outras mais banais. Mas o que doi é o silêncio porque não se percebe porque vem e se instala.
Seria tão claro se soubesse onde se escondem essas emoções contradictorias. Avançar, recuar para no final mudar sò o dia.
Com algum fetichismo, hà dias que me enfeito. Uma joia diferente, uma côr desigual. Pensaria que algo exterior à tua unica vontade poderia influenciar o que me dàs, o que não me dàs. Recuperar o que me tiraste depois de ter dado tanto! Nada acontece; tudo desacontece. Uma malha retirada que arrasta as outras todas para que no final não sobre nada.
O espaço continua vasto e tão vazio. Empurrei os muros do meu quotidiano para te deixar entrar, dar-te o ar que pedias e a atenção que exigias. Encheste e preencheste. O que farei agora? Não te posso substituir e também não quero. Não te podes apegar... e também não queres. Este caminho é um bêco e não consigo voltar para tràs, alcançar a saìda, libertar-me e o que hà em frente é uma muralha intransponìvel, poderosa, indestructivel.
Onde estarà a salvação? Salvar-me de ti que não me queres, salvar-me de mim que não me suporto.
Sem saìda.
Cansada de procurar a luz, vou esperando e definhando a esperança que ainda tenho que me ajudes a voar!
Saudades!
Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim
F. Espanca
mardi 18 décembre 2012
TOUJOURS
![]() |
| A chaque crépuscule, quelque chose tourne... |
Nous possédons des forces inimaginables. Notre pensée renferme à elle seule tout l'univers parce que nous sommes capables de le penser, de l'imaginer, d'en créer les moindres détails. Nous en sommes les maîtres; il suffit de le vouloir. Mais cette force n'est pas toujours ni maitrisée ni maitrisable. Elle émerge durant quelques instants à des moments précis de notre existence et parfois, sans le vouloir, nous passons à côté des opportunités que ces éclairs de lucidité nous ouvrent.
Cette force m'est donnée lorsque j'aime et que l'on m'aime en retour. L'amour est un guide, une énergie qui m'est transmise par le seul regard de l'autre. Les mots associés en sont les vecteurs.
Dans cette échelle de valeurs, il est des jours où je suis écrasée par la douleur, d'autres où un soulagement me permet de respirer un peu, d'autres encore où je me sens invincible. Il est difficile de naviguer ainsi entre des états aussi opposés sans que l'on sache vraiment pourquoi nous nous y trouvons. Un détail de la veille, un autre de l'instant, et tout peut basculer d'un extrême à un autre. Je ne maîtrise pas. Qui le pourrait? Encore faudrait-il se ranger à une racionalité sans faille, une intelligence de son moi totalement encadrée. je n'en suis pas capable. Si je l'étais, j'imagine que tout cela serait infondé.
Ecouter un mot. le comprendre, l'interpréter, le ramener d'une part au profit de nos souhaits les plus vitaux. Ou bien, le laisser nous rabaisser, nous avachir, détruire le peu que l'on avait réussi à ériger. Ne serait-ce là mettre à mauvais profit notre intelligence? L'intelligence du coeur est trop fluide et nuancée lorsque comparée à celle de notre seule pensée. Que faire lorsque notre pensée est l'otage de nos sentiments et que tout se brouille comme une émission parasitée?
Trop de questions. J'aurais envie de me laisser couler dans le quotidien, aussi morne soit-il. J'y parviens parfois seulement. Parfois parce que au delà de se laisser aller, les souvenirs viennent taper comme des massues assomantes, des lances pointues qui transpercent les tripes. La douleur est là. Comme un baromètre affolé par tant de variations, il est impossible dès lors de garder sa sérénité.
Alors je me fais un voeu et je voudrais que mes anges me l'octroient: Si je ne peux atteindre le souhait le plus fervent qui serait de conquérir le sommet de cette montagne que tu représentes (et je me comprends), alors que je puisse oublier à quel point ce souhait m'est urgent!
Mais, quoi qu'il arrive:
Tu seras toujours avec moi.
Je t'emmènerai en te prenant la main
voir toutes les aurores et leur crépuscule
comme la promesse que dans chaque jour achevé
nous ne nous manquerons plus
... il n'y aura plus lieu!
D'une façon
ou d'une autre.
dimanche 9 décembre 2012
PATIENCE ET LONGUEUR DE TEMPS...
Que de temps faut-il parfois attendre pour qu'une fleur s'épanouisse! Toute plante qui pousse trop vite, se fane aussi rapidement.
Il nous faut laisser, aux autres comme à nous-mêmes, le temps nécessaire au changement.
Mon ange, donnez moi la force de porter jusqu 'au bout mon fardeau, et d'accéder à la conviction confiante que la métamorphose surviendra!
Il nous faut laisser, aux autres comme à nous-mêmes, le temps nécessaire au changement.
Mon ange, donnez moi la force de porter jusqu 'au bout mon fardeau, et d'accéder à la conviction confiante que la métamorphose surviendra!
vendredi 30 novembre 2012
L'EFFET PAPILLON
... mas quem pode livrar-se porventura
dos laços que o amor arma brandamente?"
L. de Camões
| Un regard vers les cieux, dans l'attente d'un signe |
Je ne peux empêcher que ce que j'ai vécu soit déjà du passé.
Je voudrais m'accrocher à ce que je ne peux retenir.
Je voudrais que le temps me donne l'espérance
Qu'il me permette d'accomplir la certitude de mes rêves
et me laisse croire encore que tout est finalement possible.
C'est un détail infime dans l'univers;
je tends mes mains et attends qu'un papillon se pose.
mercredi 28 novembre 2012
ESCREVER: AMAR
![]() |
| Não apagues o que se escreveu essa noite... |
Hinos ao amor.
E este o meu grito; o de palavras que vão jorrando da alma, indigestão de sentimentos que dou sem mesmo perceber aqueles que me são dados. E um mergulho sem ar, onde fico horas sem respirar, afogada num amor que me destroi. Tem que sair cà para fora!
Serà essa a busca que me està destinada; ter alguém que entenda o rio que cà dentro corre? Ter alguém ao meu lado que logo saiba navegà-lo, que entenda e canalize a corrente forte e que me ajude a fundear em àguas mais mansas.
Corre a vida e não encontro. Nem encontro o que procuro, nem transcrevo exactamente o que vive dentro de mim.
Deixo sò eclodir e transbordar esta força incomensuràvel de amar, esta urgência de dar e vou descobrindo que, afinal, é o amor que estou amando.
"Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa.
É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem-estar, e o nosso para o dele.
É receber uma atenção exclusiva e oferta-la na mesma medida.
Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro é que tem a chave desse cofre.
O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos.
Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo.
Amar prescinde de entendimento.
Amar prescinde de entendimento.
Por isso não sei amar, porque sou viciada em entender."
M. Medeiros
mardi 27 novembre 2012
VOLTAR?
A minha terra não é um Estado.
E uma alma, um corpo, um homem que me acolhe no seu colo como um berço maternal.
Voltar para casa era ter-te e estar-te porque quiz que fosses o meu antro.
O tempo passou,
continuei acordando, indo dormir todos os dias,
querendo ser mais feliz para ele
mais bonita para ele
mais mulher para ele.
Até que algo aconteceu.
Um dia, acordei tão bonita
tão feliz, tão realizada
que acabei sendo mulher demais para ele.
Eu não preciso dele nem para andar
mas um pouco para ser feliz.
Mas como seria bom voltar a andar
e ser feliz ao seu lado.
E eu, finalmente
deixei de ter pena de mim por estar sem ele
e passei a ter pena dele por estar sem mim
T.Bernardi
E uma alma, um corpo, um homem que me acolhe no seu colo como um berço maternal.
Voltar para casa era ter-te e estar-te porque quiz que fosses o meu antro.
O tempo passou,
continuei acordando, indo dormir todos os dias,
querendo ser mais feliz para ele
mais bonita para ele
mais mulher para ele.
Até que algo aconteceu.
Um dia, acordei tão bonita
tão feliz, tão realizada
que acabei sendo mulher demais para ele.
Eu não preciso dele nem para andar
mas um pouco para ser feliz.
Mas como seria bom voltar a andar
e ser feliz ao seu lado.
E eu, finalmente
deixei de ter pena de mim por estar sem ele
e passei a ter pena dele por estar sem mim
T.Bernardi
mardi 20 novembre 2012
PERDIDO
"Quanto tempo dura o eterno?
As vezes, apenas um segundo!"
Lewis Carroll
| A espera que a onda passe |
Onde andas, o que fazes?
Tenho consciência que a partir de hoje um novo silêncio se instala. A tua vida decorre como sempre decorreu.
Antes de mim, comigo e depois. Sem que nada tenha mudado.
Fui um intervalo, um parenteses que se abriu, se fechou e depois se apagou.
Tenho que perceber que não sou, não fui quase nada no espaço que se abriu. Não posso esperar que algo aconteça agora.
Não que tenha perdido esperança mas num rasgo de lucidez, jà sei que não estàs mais comigo.
Perdido.
Sinto a tua falta mas não sentes a minha.
Dizem que no silêncio uma vida acontece, mas sò a tua; nada da nossa porque é provàvel que nem tenha existido. Foi sonho que esvanesceu como quando queremos contar o que a noite buscou no pensamento adormecido e que de manhã desaparece. Sò aquela sensação de que algo de bom ocorreu, algo que marcou e que é mais que uma ideia ou um conto, algo que se sentiu e que ficou imprimido na alma.
De nada serve lembrar que houve tempo e espaço nosso; penso às vezes que imaginei tudo porque estava tudo tão perfeito.
Deste sonho acordei e não acordas tu porque não soubeste sonhar.
E agora?
Que o tempo me dê tempo não tanto para recordar mas para perceber.
"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece (...).
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um remoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz (...), quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples facto de respirar.
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um remoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz (...), quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade."
Martha Medeiros
mardi 13 novembre 2012
TABLEAU DE CHASSE
Il n'est pas facile de penser pour l'autre alors que j'ai déjà du mal à penser pour moi.
Lorsque les situations manquent de clarté ou bien qu'elles sont jonchées de malentendus, comment savoir où se trouve la vérité? La vérité étant la pensée réelle de chacun, exprimée de façon simple et sans détours. Mais la manière dont les choses sont dites se doit d'être adaptée à l'interlocuteur à qui l'on veut faire passer le message; il doit être simple, direct, sans équivoque. Comment faire quand l'autre ne dit pas ce qu'il pense et qu'il peut ne pas penser ce qu'il dit!
Passée la période ascendante,
celle durant laquelle tous les espoirs sont permis, lorsque l'objectif est résolument de conquérir l'autre, le message est clair. Mais dès lors que les choses commencent à changer, à décliner, que la phase de conquête s'étiole et s'achève enfin, on entâme une sorte de "non-lieu" linguistique durant lequel, celui qui reste dans la relation, le conquis, a la facheuse tendance à se vouer à l'interprétation. Chaque mot, chaque phrase, chaque intention, sont soumis à un examen minutieux, fastidieux et poisonneux. Oui, il s'agit d'un vrai poison venant envenimer le plaisir qui existait autrefois dans l'échange.
Jusqu'au jour où l'on réalise que l'on s'est engagé sur le mauvais chemin.
Lorsque l'on ouvre soudain les yeux à la réalité, l'autre est déjà ailleurs. A presque mi-chemin d'une route qui nous est étrangère, qui résolument ne fait ni partie du "nous", ni de nous-mêmes. On découvre alors l'erreur, les erreurs commises, le leurre absolu.
Blessure.
D'amour-propre, de confiance en soi.
On se dit que l'on fait désormais partie d'un troupeau alors que l'on se pensait unique, parce que c'est bien ce que l'autre a voulu.
Manipulation.
Tromperie.
Le conquérant se cache alors tout en se montrant. Il vous a séduit en révélant le meilleur de lui-même et en réussissant à ce que vous aussi vous lui donniez le meilleur.
Puis...
plus rien.
La conquête achevée l'entraîne vers d'autres conquêtes. Et ainsi de suite.
Le conquis n'a plus alors que ses yeux pour pleurer son amour perdu.
Le conquis réalise qu'il prend place dans l'amas de trophées de l'autre.
On se considère désormais sans le regard, sans l'acceptation, sans l'amour que l'on pense avoir reçu.
L'amour dis-je?
Je ne comprends pas l'autre ou bien je ne suis pas prête à le comprendre.
Si la vérité est bien celle à laquelle je pense soudain, je suis si déçue, désenchantée, triste.
Comment cela peut être possible? Encore?
Les pièges ne se ressemblent donc pas tous?
Vous réalisez alors que les états d'âmes du conquérant, l'immensité qu'il vous a offert pour un temps, ne reviennent plus au conquis.
Dorénavant tout va à la conquête à venir.
Répétition annoncée?
L'amour?
Pourquoi soudain je doute? (bribe de racionalité?)
Suis-je une autre dans un tableau de chasse?
Pourquoi l'univers m'a t-il semblé à sa place?
Serait-ce juste parce que la proie s'est donnée tout entière au chasseur...
Lorsque les situations manquent de clarté ou bien qu'elles sont jonchées de malentendus, comment savoir où se trouve la vérité? La vérité étant la pensée réelle de chacun, exprimée de façon simple et sans détours. Mais la manière dont les choses sont dites se doit d'être adaptée à l'interlocuteur à qui l'on veut faire passer le message; il doit être simple, direct, sans équivoque. Comment faire quand l'autre ne dit pas ce qu'il pense et qu'il peut ne pas penser ce qu'il dit!
Passée la période ascendante,
celle durant laquelle tous les espoirs sont permis, lorsque l'objectif est résolument de conquérir l'autre, le message est clair. Mais dès lors que les choses commencent à changer, à décliner, que la phase de conquête s'étiole et s'achève enfin, on entâme une sorte de "non-lieu" linguistique durant lequel, celui qui reste dans la relation, le conquis, a la facheuse tendance à se vouer à l'interprétation. Chaque mot, chaque phrase, chaque intention, sont soumis à un examen minutieux, fastidieux et poisonneux. Oui, il s'agit d'un vrai poison venant envenimer le plaisir qui existait autrefois dans l'échange.
Jusqu'au jour où l'on réalise que l'on s'est engagé sur le mauvais chemin.
Lorsque l'on ouvre soudain les yeux à la réalité, l'autre est déjà ailleurs. A presque mi-chemin d'une route qui nous est étrangère, qui résolument ne fait ni partie du "nous", ni de nous-mêmes. On découvre alors l'erreur, les erreurs commises, le leurre absolu.
Blessure.
D'amour-propre, de confiance en soi.
On se dit que l'on fait désormais partie d'un troupeau alors que l'on se pensait unique, parce que c'est bien ce que l'autre a voulu.
Manipulation.
Tromperie.
Le conquérant se cache alors tout en se montrant. Il vous a séduit en révélant le meilleur de lui-même et en réussissant à ce que vous aussi vous lui donniez le meilleur.
Puis...
plus rien.
La conquête achevée l'entraîne vers d'autres conquêtes. Et ainsi de suite.
Le conquis n'a plus alors que ses yeux pour pleurer son amour perdu.
Le conquis réalise qu'il prend place dans l'amas de trophées de l'autre.
On se considère désormais sans le regard, sans l'acceptation, sans l'amour que l'on pense avoir reçu.
L'amour dis-je?
Je ne comprends pas l'autre ou bien je ne suis pas prête à le comprendre.
Si la vérité est bien celle à laquelle je pense soudain, je suis si déçue, désenchantée, triste.
Comment cela peut être possible? Encore?
Les pièges ne se ressemblent donc pas tous?
Vous réalisez alors que les états d'âmes du conquérant, l'immensité qu'il vous a offert pour un temps, ne reviennent plus au conquis.
Dorénavant tout va à la conquête à venir.
Répétition annoncée?
L'amour?
Pourquoi soudain je doute? (bribe de racionalité?)
Suis-je une autre dans un tableau de chasse?
Pourquoi l'univers m'a t-il semblé à sa place?
Serait-ce juste parce que la proie s'est donnée tout entière au chasseur...
![]() |
| La légende est inutile |
lundi 12 novembre 2012
QUELQUES MAXIMES
J'ai établi une entente de co-existence pacifique avec le temps; Il ne me poursuit pas, je ne le fuis pas.
Un jour nous nous rencontrerons.
M. Lago
Il y a toujours un peu de folie dans l'amour
bien qu'il y ait toujours un peu de raison dans la folie
F. Nietzche
Un jour nous nous rencontrerons.
M. Lago
Il y a toujours un peu de folie dans l'amour
bien qu'il y ait toujours un peu de raison dans la folie
F. Nietzche
jeudi 8 novembre 2012
CONFISSAO
"Na vida, todos temos um segredo inconfessàvel, um arrependimento irreversivel, um sonho inalcançàvel e um amor inesquecivel". D.Marchi
Confesso o tédio que me levou a ti,
e que fechei os olhos para melhor sonhar.
Confesso que acreditei na genuidade do que ocorreu
e em cada instante que passou
Confesso que te amei sem procurar razoes
porque estavas e eras e que mais sei là!
Es o meu segredo que mais preciso gritar
Confesso que nao prometeste nada
mas que cada dia se esperou mais e mais.
Confesso que nunca conheci
fervor tal, amor assim
Confesso que te preciso como ninguem
nao pelo que houve mas pelo que devia vir
Nao me arrependo de ter dado tanto
Confesso que fui percebendo ao decorrer do tempo
que o meu tempo chegaria ao fim.
Confesso que batalhei, chorei... quase te implorei
que pusesses tudo como no inicio.
Confesso que sabia dos teus impedimentos
e sobretudo da falta de vontade.
Foste o mais real dos meus sonhos
Confesso que entristeci
afogada em làgrimas que jà vinham de antes
Confesso que nao tenho dormido
porque sao noites e noites sem ti
Confesso que se estou de pé
é por certo porque um anjo anda perto.
Es o amor que espero, mas que jà nao volta.
Confesso o tédio que me levou a ti,
e que fechei os olhos para melhor sonhar.
Confesso que acreditei na genuidade do que ocorreu
e em cada instante que passou
Confesso que te amei sem procurar razoes
porque estavas e eras e que mais sei là!
Es o meu segredo que mais preciso gritar
Confesso que nao prometeste nada
mas que cada dia se esperou mais e mais.
Confesso que nunca conheci
fervor tal, amor assim
Confesso que te preciso como ninguem
nao pelo que houve mas pelo que devia vir
Nao me arrependo de ter dado tanto
Confesso que fui percebendo ao decorrer do tempo
que o meu tempo chegaria ao fim.
Confesso que batalhei, chorei... quase te implorei
que pusesses tudo como no inicio.
Confesso que sabia dos teus impedimentos
e sobretudo da falta de vontade.
Foste o mais real dos meus sonhos
Confesso que entristeci
afogada em làgrimas que jà vinham de antes
Confesso que nao tenho dormido
porque sao noites e noites sem ti
Confesso que se estou de pé
é por certo porque um anjo anda perto.
Es o amor que espero, mas que jà nao volta.
samedi 3 novembre 2012
DE OUTRA
De outra para ti
No dia em que tudo sucedeu.
Resumidos os meses que passaram
Sentimentos nascidos, vividos
Que morreram.
Chegou a minha vez, jà tive o que devia!
"Dentro de mim choro
Não a tua morte
Que não morreste em mim
Mas a morte de mim em ti"
S.C.B.
No dia em que tudo sucedeu.
Resumidos os meses que passaram
Sentimentos nascidos, vividos
Que morreram.
Chegou a minha vez, jà tive o que devia!
"Dentro de mim choro
Não a tua morte
Que não morreste em mim
Mas a morte de mim em ti"
S.C.B.
vendredi 2 novembre 2012
DESORDEM
... e fico assim desamparada, como me deixas,
sem que nada possa mudar as coisas.
Parece que os sonhos devem ficar sonhos
porque vividos dão tudo
e quando acabam não fica nada.
Nem os sonhos por sonhar
nem a realidade por viver.
Està tudo desarrumado, sem sentido
uma vida desmantelada,
cacos.
Suponho que é o que dà
dar-se inteira sem retorno
Imagino que é este o amor que cantam os outros
de quem ama sem ser amado.
Deixas tanto, perco tudo
como me deixas, fico oca, tão vazia.
Desinteresse, esquecimento e indiferença,
como podes?
Não sei que faça, que dizer:
um gesto màgico, uma palavra bem dita,
o que poderia mudar isto?
Mudaste o que tinha de vida
e deixas tudo por fazer.
Porquê?
sem que nada possa mudar as coisas.
Parece que os sonhos devem ficar sonhos
porque vividos dão tudo
e quando acabam não fica nada.
Nem os sonhos por sonhar
nem a realidade por viver.
Està tudo desarrumado, sem sentido
uma vida desmantelada,
cacos.
Suponho que é o que dà
dar-se inteira sem retorno
Imagino que é este o amor que cantam os outros
de quem ama sem ser amado.
Deixas tanto, perco tudo
como me deixas, fico oca, tão vazia.
Desinteresse, esquecimento e indiferença,
como podes?
Não sei que faça, que dizer:
um gesto màgico, uma palavra bem dita,
o que poderia mudar isto?
Mudaste o que tinha de vida
e deixas tudo por fazer.
Porquê?
samedi 27 octobre 2012
ESPERA
Suspensa num tempo interrompido
ouço as horas passar
compassadas e lentas
num silêncio assustador.
O sino deixou de tocar.
Vou e venho sem destino
sem saber para onde vou
à espera que algo aconteça,
um ruido qualquer, um gesto revelador
mas nada vem.
Jà nao vem nada.
Ainda nao posso arrancar
à alma desprotegida,
esta parte de mim mesma
que jà nao me pertence.
Ainda é cedo para isso.
Nesta espera nao hà bichos p'ra matar
sò pedaços de uma vida,
de que nao me posso separar.
Guardo as janelas fechadas e vou espreitando ao longe
Se virà o que tanto espero.
De onde, ainda nao sei.
ouço as horas passar
compassadas e lentas
num silêncio assustador.
O sino deixou de tocar.
Vou e venho sem destino
sem saber para onde vou
à espera que algo aconteça,
um ruido qualquer, um gesto revelador
mas nada vem.
Jà nao vem nada.
Ainda nao posso arrancar
à alma desprotegida,
esta parte de mim mesma
que jà nao me pertence.
Ainda é cedo para isso.
Nesta espera nao hà bichos p'ra matar
sò pedaços de uma vida,
de que nao me posso separar.
Guardo as janelas fechadas e vou espreitando ao longe
Se virà o que tanto espero.
De onde, ainda nao sei.
| Que janela se abrirà? |
"Corro perigo como toda pessoa que vive
E a unica coisa que me espera é exactamente o inesperado"
Clarice Lispector
vendredi 26 octobre 2012
"DESCOZIDO"
Lindinha não fiques triste
Não posso nem quero ficar dependente
Isto seria perfeito com uma noite contigo
Que dia!
Tua mão
Como se passa a tua passagem para a vida real?
Não te quero perder
M linda, que semana
Deste-me o gosto de voltar a desenhar
Também sinto a tua falta
Es uma senhora, mas quando estas na "brincadeira" parece que tens 20 anos
Apetece-me ouvir a tua voz
Essa boquinha
Contava-te uma historia
Vem, levo-te para o deserto
Queres queijinho e azeitonas?
Jantamos os dois?
Estàs gravada a fogo
Sò faltas tu
Estàs uma braza
Hoje não me ligas nenhuma
Quando chegar aviso-te
Boa viagem minha querida
Enganas-te
Não me és indiferente....
B Qu'est-ce que tu fais?
Não posso nem quero ficar dependente
Isto seria perfeito com uma noite contigo
Que dia!
Tua mão
Como se passa a tua passagem para a vida real?
Não te quero perder
M linda, que semana
Deste-me o gosto de voltar a desenhar
Também sinto a tua falta
Es uma senhora, mas quando estas na "brincadeira" parece que tens 20 anos
Apetece-me ouvir a tua voz
Essa boquinha
Contava-te uma historia
Vem, levo-te para o deserto
Queres queijinho e azeitonas?
Jantamos os dois?
Estàs gravada a fogo
Sò faltas tu
Estàs uma braza
Hoje não me ligas nenhuma
Quando chegar aviso-te
Boa viagem minha querida
Enganas-te
Não me és indiferente....
B Qu'est-ce que tu fais?
mardi 23 octobre 2012
E DEPOIS, O QUE VEM?
A preencher espaço e tempo
abarcando as coisas que jà foram
substituindo as que jà não são
Parece tarefa impossivel
porque não hà vontade.
Mas o que viria senão?
Remendos grosseiros
mal alinhavados e que rasgam sem trégua.
Vai levar tempo apagar a saudade
vai levar tempo lembrar cada momento
sem que là deixe parte de mim.
Serà que vou conseguir?
Cada dia que vai vir jà sei que vão surgir
males tão fortes que terei que combater
vindos do que se aproveitou e jà não volta;
coisas feitas, coisas ditas, outras pensadas.
Se chegar à meta do que hà para esquecer
guardando sò o que valeu a pena, sem màgoas,
talvez consiga voltar a viver
não daquilo que foi nosso, que nos fez
mas sòmente viver do que sou, como sou, com o que tenho
Onde é que se pode encontrar o seu proprio eu?
Sempre no mais profundo encantamento que se experimentou!
H. Hofmannsthal
abarcando as coisas que jà foram
substituindo as que jà não são
Parece tarefa impossivel
porque não hà vontade.
Mas o que viria senão?
Remendos grosseiros
mal alinhavados e que rasgam sem trégua.
Vai levar tempo apagar a saudade
vai levar tempo lembrar cada momento
sem que là deixe parte de mim.
Serà que vou conseguir?
Cada dia que vai vir jà sei que vão surgir
males tão fortes que terei que combater
vindos do que se aproveitou e jà não volta;
coisas feitas, coisas ditas, outras pensadas.
Se chegar à meta do que hà para esquecer
guardando sò o que valeu a pena, sem màgoas,
talvez consiga voltar a viver
não daquilo que foi nosso, que nos fez
mas sòmente viver do que sou, como sou, com o que tenho
e que me serve pra tão pouco, quase nada, se não estàs!
Onde é que se pode encontrar o seu proprio eu?
Sempre no mais profundo encantamento que se experimentou!
H. Hofmannsthal
dimanche 21 octobre 2012
QUE RUMO TOMAR?
Estava sentada numa pedra, os pés pendurados no abismo cismando,
o olhar perdido ao longe no azul desse oceano que o vento manchava do branco das ondas a estalar.
A pensar em ti.
Partilhar este horizonte e outros. Imaginar que là està sò para nòs.
Quizera que aceitasses rever a imensidao destes lugares onde a rocha escura se ilumina com o sol e se deita, abandonada ao balanço violento do mar.
Quizera que fosse este nosso rumo, entregues um ao outro, vendo para além da linha continua e finita do horizonte, sabendo que hà algo mais que nos espera. Para além do que se vê.
De mao dada combater o que nos trava.
Que ficasses comigo e que sem medo encarasses a possibilidade do que sonho.
Mas é desejo sem outra vida que aquela que lhe dou, eu sò.
Porque tu és o que espero mas nao alteras o que jà tens.
Como esperar? Por quanto tempo? E que rumo tomar?
"Um dia, depois de dominarmos os ventos, as ondas, as marés, a gravidade,
conseguiremos recolher...
as energias do amor,
e entao, por um segundo na historia do mundo,
o homem terà dominado o fogo..."
P. Teilhard de Chardin
o olhar perdido ao longe no azul desse oceano que o vento manchava do branco das ondas a estalar.
A pensar em ti.
Partilhar este horizonte e outros. Imaginar que là està sò para nòs.
Quizera que aceitasses rever a imensidao destes lugares onde a rocha escura se ilumina com o sol e se deita, abandonada ao balanço violento do mar.
Quizera que fosse este nosso rumo, entregues um ao outro, vendo para além da linha continua e finita do horizonte, sabendo que hà algo mais que nos espera. Para além do que se vê.
De mao dada combater o que nos trava.
Que ficasses comigo e que sem medo encarasses a possibilidade do que sonho.
Mas é desejo sem outra vida que aquela que lhe dou, eu sò.
Porque tu és o que espero mas nao alteras o que jà tens.
Como esperar? Por quanto tempo? E que rumo tomar?
"Um dia, depois de dominarmos os ventos, as ondas, as marés, a gravidade,
conseguiremos recolher...
as energias do amor,
e entao, por um segundo na historia do mundo,
o homem terà dominado o fogo..."
P. Teilhard de Chardin
mercredi 17 octobre 2012
COMO SABER
Quando a vida não traz aquilo que se espera, aquelas coisas que jà não dependem de nòs depois de termos dado e feito o que nos parecia adaptado para que acontecessem, como saber que estamos no bom caminho?
Passaram-se meses, quase um ano, desde que isto começou. Houve altos fantàsticos e baixos arrazantes. Foram, estes ultimos os mais correntes mas a intensidade dos primeiros varre tudo. Hà uns dias, havia de novo promessas no ar. Imaginei este reencontro como um momento mais de delicias intensas mas hoje, de novo um silêncio que diz tanto. Diz que não hà mais nada, que não vale a pena forçar.
Pensei em primeiro que apesar de promessas, que nada de mal viria de ti, mas que havia no entanto uma vontade deliberada de magoar. Talvez não deliberada mesmo mas uma intenção que levava ao acto deliberado. Percebi depois que não. Quiz ser perdoada.
Fui influenciada por opiniões de duas pessoas cujo instinto e saber conseguem ver para além do visivel. Por duas vezes me disseram que o caminho era este, que és aquele que espero. Mas as atitudes provam o contràrio. Disseram-me que havia medo, de coisas e pessoas que te rodeiam, medo de uma conjuntura assustadora que sò vai trazer problemas. E compreendo isso. Sò não compreendo como se pode ter medo do que poderiamos ter sido.
Hà um refugio atràs do qual te escondes sistematicamente: a tal racionalidade. Coisa fàcil para quem pode. Arrumar os problemas e as perspectivas futuras numa logica racional pode ser uma solução. Mas deixa de o ser se vem impedir um destino de se cumprir.
Ainda acredito que tenhamos um destino juntos. E dos melhores. Mas a minha crença vai definhando à medida que observo como te desligas de nòs. Esta maneira hàbil que tens de me afastar do teu quotidiano. De me desligar da tua vida simplesmente, ocultando o que fazes quando, ainda hà pouco tempo, me dizias quase tudo. Podia imaginar-te evoluindo dia à dia, saber onde estavas, o que pensavas.
Hoje jà não sei nada. E gostaria por vezes ter a força de te confrontar a tudo isto. Dizer-te o que penso, o que sinto, o que sei de nòs. Mas temo que te afastes ainda mais e que acabe de vez por te perder.
Sei hoje que amanhã vais estar longinquo. Vais dar ao tempo que teremos uma ligeireza despropositada e injusta. Que não poderemos partilhar os momentos que estavam previstos. Por quem? Por mim, pelo destino e talvez também por ti. Mas como jà disse não queres porque, ao que parece, não tens nada para me dar. Eu acho que é mais porque não sabes como fazer mas é provàvel que esteja a traduzir os meus desejos para uma realidade de que não tenho consciência.
Quero que saibas que teria dado tudo. Que és agora tudo o que quero. Sem mais.
Mas não vai acontecer nada. Nenhum dos sonhos que tivemos. Porque sei que os tivemos mesmo.
Quero-te mais que tudo mas para ti, jà sou passado. Jà não posso acontecer-te.
Terei que escolher outro caminho sem saber para onde vou. E no entanto, qualquer caminho que me levasse a ti seria o bom. Mas as portas vão se fechando. Vais trancando as fechaduras uma a uma. E eu, vou ficar desamparada, perdida sem perceber porquê ages assim e vou pensando no que poderia ter sido.
O que te passa pela cabeça fica silêncio. Jà não sei nada.
Como saber?
Necessita de um amor perene
Passaram-se meses, quase um ano, desde que isto começou. Houve altos fantàsticos e baixos arrazantes. Foram, estes ultimos os mais correntes mas a intensidade dos primeiros varre tudo. Hà uns dias, havia de novo promessas no ar. Imaginei este reencontro como um momento mais de delicias intensas mas hoje, de novo um silêncio que diz tanto. Diz que não hà mais nada, que não vale a pena forçar.
Pensei em primeiro que apesar de promessas, que nada de mal viria de ti, mas que havia no entanto uma vontade deliberada de magoar. Talvez não deliberada mesmo mas uma intenção que levava ao acto deliberado. Percebi depois que não. Quiz ser perdoada.
Fui influenciada por opiniões de duas pessoas cujo instinto e saber conseguem ver para além do visivel. Por duas vezes me disseram que o caminho era este, que és aquele que espero. Mas as atitudes provam o contràrio. Disseram-me que havia medo, de coisas e pessoas que te rodeiam, medo de uma conjuntura assustadora que sò vai trazer problemas. E compreendo isso. Sò não compreendo como se pode ter medo do que poderiamos ter sido.
Hà um refugio atràs do qual te escondes sistematicamente: a tal racionalidade. Coisa fàcil para quem pode. Arrumar os problemas e as perspectivas futuras numa logica racional pode ser uma solução. Mas deixa de o ser se vem impedir um destino de se cumprir.
Ainda acredito que tenhamos um destino juntos. E dos melhores. Mas a minha crença vai definhando à medida que observo como te desligas de nòs. Esta maneira hàbil que tens de me afastar do teu quotidiano. De me desligar da tua vida simplesmente, ocultando o que fazes quando, ainda hà pouco tempo, me dizias quase tudo. Podia imaginar-te evoluindo dia à dia, saber onde estavas, o que pensavas.
Hoje jà não sei nada. E gostaria por vezes ter a força de te confrontar a tudo isto. Dizer-te o que penso, o que sinto, o que sei de nòs. Mas temo que te afastes ainda mais e que acabe de vez por te perder.
Sei hoje que amanhã vais estar longinquo. Vais dar ao tempo que teremos uma ligeireza despropositada e injusta. Que não poderemos partilhar os momentos que estavam previstos. Por quem? Por mim, pelo destino e talvez também por ti. Mas como jà disse não queres porque, ao que parece, não tens nada para me dar. Eu acho que é mais porque não sabes como fazer mas é provàvel que esteja a traduzir os meus desejos para uma realidade de que não tenho consciência.
Quero que saibas que teria dado tudo. Que és agora tudo o que quero. Sem mais.
Mas não vai acontecer nada. Nenhum dos sonhos que tivemos. Porque sei que os tivemos mesmo.
Quero-te mais que tudo mas para ti, jà sou passado. Jà não posso acontecer-te.
Terei que escolher outro caminho sem saber para onde vou. E no entanto, qualquer caminho que me levasse a ti seria o bom. Mas as portas vão se fechando. Vais trancando as fechaduras uma a uma. E eu, vou ficar desamparada, perdida sem perceber porquê ages assim e vou pensando no que poderia ter sido.
O que te passa pela cabeça fica silêncio. Jà não sei nada.
Como saber?
"Leve-me para perto de você
Leve-me até onde você se esconde
É tão visível pra mim
E ao mesmo tempo distante
Leve-me até onde você se esconde
É tão visível pra mim
E ao mesmo tempo distante
Entregue-se a essa carência
Sem medo do que possa acontecer
Deixe-me aconchegar-me em sua essência
Realizar meus sonhos,desvendar o âmago do seu querer
Sem medo do que possa acontecer
Deixe-me aconchegar-me em sua essência
Realizar meus sonhos,desvendar o âmago do seu querer
Não se esconda, queira viver
Pois esse coração incólume
Pois esse coração incólume
De um toque suave e da paz que posso oferecer"
A.J.A. Bolato
![]() |
| Como saber onde vais? |
mardi 16 octobre 2012
TELLE PENELOPE OU SON CONTRAIRE
J'attends, j'espère...
Le silence est revenu, rien ne vient. Plus rien.
J'avais recréé un espace, un lieu imaginaire qui nous appartenait. Tu semblais t'y complaire, t'y installer.
Mais comme à chaque fois, au moment précis où je commençais à construire... tu n'es plus là.
J'ai cru en toi, j'ai cru en nous.
On m'a dit que nous avions un avenir à deux.
Changer de vie, de continent, il me semble. Ensemble.
Tout semble se défaire et je n'y comprends rien.
Tu vas et tu viens, sans que je puisse savoir ni quand ni pour combien de temps.
Déboussolée.
On m'a dit que tu avais peur.
De quoi?
Que tu n'avais rien à m'offrir.
Je n'ai besoin de rien. De toi seul, c'est largement suffisant.
Je voulais partir pour te rejoindre.
Tu vas partir pour t'enfuir.
Combien de temps faudra t'il pour que l'on se rejoigne? Cette vie ou une autre?
Tu pars sans moi parce que je ne suis rien. Je ne serai rien si sans moi, tu pars!
Je fais des rêves que tu t'acharnes à défaire.
Je tricote un avenir que je n'ai plus,
Comme Pénélope
Ou son contraire!
"A tecer a trama da vida estou
As pessoas passam por mim
E somente passam
As horas e os dias passam
Passa o anoitecer
E os sonhos e a esperança vão morrendo
A cada vez que nasce o dia.
Até quando?
Quando saber onde se deve parar
E concluir tudo que se deixou incompleto?
Saber como concertar os erros cometidos?
Esperar ou fugir de um destino que não sei ao certo
Se trarà ou me tirarà todos os desejos.
A tecer a trama da vida estou
Ponteando cada passo
Um por um.
Amores passam por mim
E se desfazem a cada amanhecer
Pois sei que não é o que espero.
A tecer a trama da vida estou
Furando o dedo nas agulhas,
Pregando as làgrimas como pérolas
E as gotas de sangue como pétalas de rosa.
Desmancho tudo toda vez que amanhece.
Algum dia talvez consiga concluir
Como todo e bom artesão
meu trabalho arduo
E ponteie cada linha que me ligue ao que vai chegar.
Enquanto isso teço
e desmancho as linhas do destino
Até quando achar necessàrio
Fazer-me incompleta!"
Jaqueline Souza
Le silence est revenu, rien ne vient. Plus rien.
J'avais recréé un espace, un lieu imaginaire qui nous appartenait. Tu semblais t'y complaire, t'y installer.
Mais comme à chaque fois, au moment précis où je commençais à construire... tu n'es plus là.
J'ai cru en toi, j'ai cru en nous.
On m'a dit que nous avions un avenir à deux.
Changer de vie, de continent, il me semble. Ensemble.
Tout semble se défaire et je n'y comprends rien.
Tu vas et tu viens, sans que je puisse savoir ni quand ni pour combien de temps.
Déboussolée.
On m'a dit que tu avais peur.
De quoi?
Que tu n'avais rien à m'offrir.
Je n'ai besoin de rien. De toi seul, c'est largement suffisant.
Je voulais partir pour te rejoindre.
Tu vas partir pour t'enfuir.
Combien de temps faudra t'il pour que l'on se rejoigne? Cette vie ou une autre?
Tu pars sans moi parce que je ne suis rien. Je ne serai rien si sans moi, tu pars!
Je fais des rêves que tu t'acharnes à défaire.
Je tricote un avenir que je n'ai plus,
Comme Pénélope
Ou son contraire!
![]() |
| Au fil de mes rêves... |
"A tecer a trama da vida estou
As pessoas passam por mim
E somente passam
As horas e os dias passam
Passa o anoitecer
E os sonhos e a esperança vão morrendo
A cada vez que nasce o dia.
Até quando?
Quando saber onde se deve parar
E concluir tudo que se deixou incompleto?
Saber como concertar os erros cometidos?
Esperar ou fugir de um destino que não sei ao certo
Se trarà ou me tirarà todos os desejos.
A tecer a trama da vida estou
Ponteando cada passo
Um por um.
Amores passam por mim
E se desfazem a cada amanhecer
Pois sei que não é o que espero.
A tecer a trama da vida estou
Furando o dedo nas agulhas,
Pregando as làgrimas como pérolas
E as gotas de sangue como pétalas de rosa.
Desmancho tudo toda vez que amanhece.
Algum dia talvez consiga concluir
Como todo e bom artesão
meu trabalho arduo
E ponteie cada linha que me ligue ao que vai chegar.
Enquanto isso teço
e desmancho as linhas do destino
Até quando achar necessàrio
Fazer-me incompleta!"
Jaqueline Souza
samedi 13 octobre 2012
TANTA COISA
Essa boquinha
Esta vontade
Tanta coisa...
Que ninguém nos pode tirar.
Ver o que não podia ver
Saber o que não dizias
Jà saber o que ainda não sabes.
Està um mundo a alvorecer
Uma esperança que vai crescendo
E o que resta de uma vida inteira
Para cumprir o que està previsto.
Dà-me a tua mão...
Acho que sei para onde vamos
Vai levar tempo e a pena
Porque é agora que teremos
Aquilo que sempre nos pertenceu
Tanta coisa...
Esta vontade
![]() |
| Minha mão |
Que ninguém nos pode tirar.
Ver o que não podia ver
Saber o que não dizias
Jà saber o que ainda não sabes.
Està um mundo a alvorecer
Uma esperança que vai crescendo
E o que resta de uma vida inteira
Para cumprir o que està previsto.
Dà-me a tua mão...
Acho que sei para onde vamos
Vai levar tempo e a pena
Porque é agora que teremos
Aquilo que sempre nos pertenceu
Tanta coisa...
dimanche 7 octobre 2012
NANA DOIT PARTIR
Assise en sirène au bord du bassin, Nana en tapotait le rebord de ses petits doigts. Elle avait sur son visage un sourire à peine perceptible qui lui soulignait la douceur du regard. Elle le plongeait dans l'eau comme si elle pouvait voir des mondes où tout serait possible.
- Nana, tu viens?
- Nana!! Qu'est-ce que tu fais? On t'attend. Tu n'entends pas quand je t'appelle?
- Je suis là...
Comme chaque fois que Nana était déviée, sortie, arrachée de ses pensées, elle sentait son petit ventre se tordre. Cette douleur sournoise melée de peur et de frustration, comme si le passage d'un monde à l'autre était une violence faite à ses entrailles. Elle n'aimait vraiment pas ça.
Elle essuyait sa main encore mouillée d'avoir effleuré l'eau claire.
Elle essuyait sa main encore mouillée d'avoir effleuré l'eau claire.
- Qu'est-ce que tu faisais dehors?
- Oh, j'étais juste assise au bord du bassin...
- Du quoi? Quel bassin? De quoi tu parles?
![]() |
| Paisible... au bord de l'eau (Gouache - Auteur inconnu) |
______________________________________
L'avion était prévu en fin de matinée. La valise bouclée, le coeur plein, je descendais par l'ascenseur qui m'emportait désormais vers mon départ. Le taxi, le comptoir de check-in, les formalités s'enchaînaient. Un rituel presque de passage vers le réel qui m'attendait.
Sept jours auparavant, comme le premier des sept jours de la création, je le voyais enfin. Je réalisais à peine que la rencontre se produisait...
- Je suis bien là, avec toi?
Il m'a souri. Me dévisageait, relevant que mes yeux étaient plutôt verts. J'avais à côté l'espoir de mes attentes, un avenir possible dans un registre coordonné. Un de ces moments où nos désirs les plus profonds explosent dans l'autre réalité et où l'on se dit qu'alors plus rien ne peut nous atteindre. La force, le courage, l'impossible s'emparent de la volonté. Tout peut arriver. Le meilleur.
Nous avons roulé un moment, je ne sais plus où. J'étais accaparée par sa présence; nous étions dans la matérialisation de ce que nous avions échangé pendant les mois précédents. Des mots, d'abord écrits, puis nous avions éprouvé le besoin de nous entendre. Un fil de vie qui s'est tissé jour après jour laissant planer des sentiments désireux de s'accomplir. On y était.
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Lorsque je repense à cet amas de sentiments déversés en cascade à chaque histoire, j'ai le goût amer du gâchis. Non pas que je regrette de les avoir livrés; ils étaient justes au moment où je les ai déposés, ils étaient naturels, comme un cadeau précieux; ils étaient le meilleur de moi-même. Il y avait, à chaque fois, invariablement, de l'à-propos. Comme un échange, un partage, une mutualité consonante.
Aussi loin que ma mémoire m'entraîne dans ces états amoureux, j'ai la curieuse sensation que la quantité donnée était toujours la même, le dosage absolu, total. Il est curieux de quantifier ainsi les émanations du coeur; l'amour au poids. Ensuite, c'est plutôt le poids de l'amour qui s'avère lourd à porter. Mais est-ce juste un problème d'amour?
L'amour n'est-'il pas la capacité à livrer son âme à celui qui la comprendra?
Aussi loin que ma mémoire m'entraîne dans ces états amoureux, j'ai la curieuse sensation que la quantité donnée était toujours la même, le dosage absolu, total. Il est curieux de quantifier ainsi les émanations du coeur; l'amour au poids. Ensuite, c'est plutôt le poids de l'amour qui s'avère lourd à porter. Mais est-ce juste un problème d'amour?
L'amour n'est-'il pas la capacité à livrer son âme à celui qui la comprendra?
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Il fait nuit. Nana ne dort pas mais elle rêve. Blottie au fond de son lit, elle entend enfin le silence. Et son imaginaire s'envole. Elle a d'abord peur. Peur de ses rois rouges qu'elle perçoit à la place des coussins carrés, massifs qui bordent son lit côté mur. Ils sont rêches.
Non, c'est dehors qu'elle veut que son regard se porte. La nuit est claire. Son moment de bonheur; partir dans cette lumière à peine faite des réverbères et surtout de la promesse de celle que renvoient la lune et ses étoiles, les vraies choses de l'univers. Elle ne peut vraiment pas dormir. L'appel est trop fort et elle se laisse emporter par la brise légère de sa pensée, ce souffle tiède qui la rassure et la nourri d'absolu.
La vie est ailleurs.
La vie est ailleurs.
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Le dernier soir était pour lui une partie de chasse. Non, je n'étais pas la proie. C'est le moyen qu'il avait trouvé pour pouvoir m'offrir le crépuscule... puis une partie de la nuit.
Nous nous sommes retrouvés, très clandestinement. Malgré sa crainte d'être reconnu, il est sorti de la voiture pour m'ouvrir la portière et m'inviter à bord. Je m'y suis engouffrée, ravie de cette galanterie à laquelle il n'a jamais failli. Il a démarré et nous avons traversé le fleuve.
C'est sur un bar de plage deserté, ce qui le rendait davantage accueillant, que nous nous sommes cachés. Au grand air. La fin du jour était douce et nous avions l'étendue immense de sable, la fin du jour qui s'annoçait qui s'annonçait et l'océan, pour témoigner de cet instant.
Il me regardait de ce regard mélant douceur, désir, reconnaissance. Lui qui m'avait reconnue très vite, identifiée, me connaissait vraiment. J'avais compris celà, il s'y était remis naturellement. J'éprouvais l'émotion indescriptible de toucher à une étoile. Cet état de grâce où soudain l'univers est en place, dans son infinité. Mes sens l'étaient aussi. Ce soir-là je ne faisais pas que la toucher, je caressais l'étoile. Mon étoile de vie, celle qui offre la plénitude et la simplicité de l'absolu.
Il me regardait de ce regard mélant douceur, désir, reconnaissance. Lui qui m'avait reconnue très vite, identifiée, me connaissait vraiment. J'avais compris celà, il s'y était remis naturellement. J'éprouvais l'émotion indescriptible de toucher à une étoile. Cet état de grâce où soudain l'univers est en place, dans son infinité. Mes sens l'étaient aussi. Ce soir-là je ne faisais pas que la toucher, je caressais l'étoile. Mon étoile de vie, celle qui offre la plénitude et la simplicité de l'absolu.
Oui, des choses simples, d'une évidence frappante et qui nous permettent, un instant, de comprendre enfin pourquoi on est là. On sait alors que c'est l'histoire de sa vie, la vraie, qui se déroule. Celle dans laquelle il n'y a plus lieu de "rêver" puisqu'il n'est plus question de s'échapper. On ne veut pas s'en échapper justement. Juste s'y plonger et demeurer.
Puis, ailleurs, nous avons fait durer l'instant. Après la communion de nos âmes, ainsi bercés l'un et l'autre par la beauté des éléments, nous avons mélangé nos corps. Ce fut l'harmonie, l'axe parfait, l'alignement paroxystique durant lequel tout est alors à sa place.
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Selon l'humeur, je me réjouis ou je désespère. Vivre dans la mémoire du "rêve" accompli ramène au besoin impératif de le reproduire, de le retrouver.
Ces choses dont on a rêvé, dont on a eu l'idée et qui un jour vous sont offertes. Mon rêve existe; il n'est plus la chimère, l'utopie de l'impossible.
Ces choses dont on a rêvé, dont on a eu l'idée et qui un jour vous sont offertes. Mon rêve existe; il n'est plus la chimère, l'utopie de l'impossible.
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Nana est allé faire une promenade en bâteau. La mer tangante ne lui fait pas peur. Elle aime ça, ce bercement presque maternel. Et l'horizon. Le paysage de cet azur qui change à chaque instant. L'odeur des embruns, leur goût salé.
Le bâteau est plein mais elle est seule. Au milieu de ce splendide décor, de jolis bateaux blancs ont jeté l'ancre. Elle aperçoit, sur le pont de l'un d'eux, un homme nu, étendu, offrant son corps aux rayons du soleil. Il est seul et semble absorber toute l'étendue de ce plaisir qui est là, que personne ne semble comprendre, prêt à être cueilli par celui qui s'y laissera prendre. Nana le saisit aussitôt sans se dévoiler. Et elle a cette pensée, qu'elle portera désormais en elle: c'est ça la vraie vie.
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Pourquoi cette impression constante que la vie est ailleurs? Que ce quotidien n'est qu'un enchaînement de gestes de circonstances, de choses faites parce qu'elles doivent l'être? Comme si ce réel souvent si lourd et encombrant était en fait le rêve lui-même. La partie qui pourrait être mais dont je ne veux pas. Pourquoi ce que les autres perçoivent comme le rêve me semble, au contraire être la réalité? Celle dans laquelle on existe sans subsister, celle dans laquelle on EST celui ou celle que l'on se sent ETRE?
C'est ce décalage qui semble problématique. Dans le soi-disant réel on endosse le fardeau que l'on s'est imposé. Fait d'habitudes, de conventions, de choses prévues. C'est l'immense majorité qui s'y trouve. Mais si l'on a ce pouvoir incommensurable de "rêver" n'est-il pas que cela est de l'ordre d'un possible? Si, formatés comme nous le sommes, nous avons ce pouvoir d'outrepasser ce qui semble établi, n'est-il pas que cette idée du "rêve" que l'on émane de nos esprits et du plus profond de nos âmes, est ce qu'il y a de plus vrai en nous et que c'est celle là, et aucune autre, notre réalité?
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Une réalité rêvée à deux, voilà ce que j'ai connu. Est-ce que le fait de savoir que quelqu'un peut partager notre essence ne nous octroie pas le devoir de nous en rapprocher? De vouloir établir cet état de choses? La vie sociale, la fameuse "vraie vie" n'est-elle pas un courant de gens qui courent dans la même direction, avec les mêmes codes?
Alors pourquoi ce que j'ai vécu et qui est ma quête semble illusoire?
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Est-ce que Nana doit vraiment partir? Peut-elle se ranger à la concession de ce qu'elle ne veut pas uniquement parce que cela ne cadre pas avec ce qu'elle doit être? Doit-elle abandonner ce qu'il y a de plus profond et de sincère en elle, au profit d'un ordre figé, codé, qui ne lui correspond pas et dans lequel elle ne fait que jouer un rôle qui lui offre un semblant de sociabilité?
Nana a appris à jouer. A se mettre en représentation pour que le moule social l'accepte. Mais tout n'y est qu'apparence. Si Nana doit partir, que va t'il rester de moi?
Le bâteau est plein mais elle est seule. Au milieu de ce splendide décor, de jolis bateaux blancs ont jeté l'ancre. Elle aperçoit, sur le pont de l'un d'eux, un homme nu, étendu, offrant son corps aux rayons du soleil. Il est seul et semble absorber toute l'étendue de ce plaisir qui est là, que personne ne semble comprendre, prêt à être cueilli par celui qui s'y laissera prendre. Nana le saisit aussitôt sans se dévoiler. Et elle a cette pensée, qu'elle portera désormais en elle: c'est ça la vraie vie.
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Pourquoi cette impression constante que la vie est ailleurs? Que ce quotidien n'est qu'un enchaînement de gestes de circonstances, de choses faites parce qu'elles doivent l'être? Comme si ce réel souvent si lourd et encombrant était en fait le rêve lui-même. La partie qui pourrait être mais dont je ne veux pas. Pourquoi ce que les autres perçoivent comme le rêve me semble, au contraire être la réalité? Celle dans laquelle on existe sans subsister, celle dans laquelle on EST celui ou celle que l'on se sent ETRE?
C'est ce décalage qui semble problématique. Dans le soi-disant réel on endosse le fardeau que l'on s'est imposé. Fait d'habitudes, de conventions, de choses prévues. C'est l'immense majorité qui s'y trouve. Mais si l'on a ce pouvoir incommensurable de "rêver" n'est-il pas que cela est de l'ordre d'un possible? Si, formatés comme nous le sommes, nous avons ce pouvoir d'outrepasser ce qui semble établi, n'est-il pas que cette idée du "rêve" que l'on émane de nos esprits et du plus profond de nos âmes, est ce qu'il y a de plus vrai en nous et que c'est celle là, et aucune autre, notre réalité?
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Une réalité rêvée à deux, voilà ce que j'ai connu. Est-ce que le fait de savoir que quelqu'un peut partager notre essence ne nous octroie pas le devoir de nous en rapprocher? De vouloir établir cet état de choses? La vie sociale, la fameuse "vraie vie" n'est-elle pas un courant de gens qui courent dans la même direction, avec les mêmes codes?
Alors pourquoi ce que j'ai vécu et qui est ma quête semble illusoire?
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Est-ce que Nana doit vraiment partir? Peut-elle se ranger à la concession de ce qu'elle ne veut pas uniquement parce que cela ne cadre pas avec ce qu'elle doit être? Doit-elle abandonner ce qu'il y a de plus profond et de sincère en elle, au profit d'un ordre figé, codé, qui ne lui correspond pas et dans lequel elle ne fait que jouer un rôle qui lui offre un semblant de sociabilité?
Nana a appris à jouer. A se mettre en représentation pour que le moule social l'accepte. Mais tout n'y est qu'apparence. Si Nana doit partir, que va t'il rester de moi?
jeudi 4 octobre 2012
L'OUBLI
À chaque moment qui passe
Un bout de mémoire s'éteint.
Mais je suis là, moi
Et je me souviens!
Ne m'oublie pas...
Un bout de mémoire s'éteint.
Mais je suis là, moi
Et je me souviens!
Ne m'oublie pas...
lundi 1 octobre 2012
DAR E TIRAR ASAS
Foste o meu refugio
deste-me as asas que não tinha e ensinaste-me a voar
fizeste de mim princesa
e deixas agora tudo como se nada fosse
Jà não sei onde me esconder quando o que vejo cà fora não convèm
quero voltar a voar, là alto e jà não posso, para quê ... sem ti
Sou agora princesa sem reino
Jà não sou nada
Voltei à terra escura onde o tempo não passa
parado sem futuro, nem presente
onde sò o passado ainda vive sem jamais acontecer.
Guardo num recanto secreto as mil coisas vividas
mas de que servem agora se sem TI jà não existem!
Sacudiste o amor que ajudaste a criar.
Que injusto é isso.
deste-me as asas que não tinha e ensinaste-me a voar
fizeste de mim princesa
e deixas agora tudo como se nada fosse
Jà não sei onde me esconder quando o que vejo cà fora não convèm
quero voltar a voar, là alto e jà não posso, para quê ... sem ti
Sou agora princesa sem reino
Jà não sou nada
Voltei à terra escura onde o tempo não passa
parado sem futuro, nem presente
onde sò o passado ainda vive sem jamais acontecer.
Guardo num recanto secreto as mil coisas vividas
mas de que servem agora se sem TI jà não existem!
Sacudiste o amor que ajudaste a criar.
Que injusto é isso.
![]() |
| Quero voltar a voar... |
LE DESERT
La traversée du désert commence aujourd'hui.
Puissent mes anges et mes guides m'aider à trouver la sérénité!

Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.
Fim.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
Puissent mes anges et mes guides m'aider à trouver la sérénité!
Grandes São os Desertos, e Tudo é Deserto
Não são algumas toneladas de pedras ou tijolos ao alto
Que disfarçam o solo, o tal solo que é tudo.
Grandes são os desertos e as almas desertas e grandes
Desertas porque não passa por elas senão elas mesmas,
Grandes porque de ali se vê tudo, e tudo morreu.
Grandes são os desertos, minha alma!
Grandes são os desertos.
Não tirei bilhete para a vida,
Errei a porta do sentimento,
Não houve vontade ou ocasião que eu não perdesse.
Hoje não me resta, em vésperas de viagem,
Com a mala aberta esperando a arrumação adiada,
Sentado na cadeira em companhia com as camisas que não cabem,
Hoje não me resta (à parte o incômodo de estar assim sentado)
Senão saber isto:
Grandes são os desertos, e tudo é deserto.
Grande é a vida, e não vale a pena haver vida,
Arrumo melhor a mala com os olhos de pensar em arrumar
Que com arrumação das mãos factícias (e creio que digo bem)
Acendo o cigarro para adiar a viagem,
Para adiar todas as viagens.
Para adiar o universo inteiro.
Volta amanhã, realidade!
Basta por hoje, gentes!
Adia-te, presente absoluto!
Mais vale não ser que ser assim.
Comprem chocolates à criança a quem sucedi por erro,
E tirem a tabuleta porque amanhã é infinito.
Mas tenho que arrumar mala,
Tenho por força que arrumar a mala,
A mala.
Não posso levar as camisas na hipótese e a mala na razão.
Sim, toda a vida tenho tido que arrumar a mala.
Mas também, toda a vida, tenho ficado sentado sobre o canto das camisas empilhadas,
A ruminar, como um boi que não chegou a Ápis, destino.
Tenho que arrumar a mala de ser.
Tenho que existir a arrumar malas.
A cinza do cigarro cai sobre a camisa de cima do monte.
Olho para o lado, verifico que estou a dormir.
Sei só que tenho que arrumar a mala,
E que os desertos são grandes e tudo é deserto,
E qualquer parábola a respeito disto, mas dessa é que já me esqueci.
Ergo-me de repente todos os Césares.
Vou definitivamente arrumar a mala.
Arre, hei de arrumá-la e fechá-la;
Hei de vê-la levar de aqui,
Hei de existir independentemente dela.
Grandes são os desertos e tudo é deserto,
Salvo erro, naturalmente.
Pobre da alma humana com oásis só no deserto ao lado!
Mais vale arrumar a mala.
Fim.
Álvaro de Campos, in "Poemas"
Heterónimo de Fernando Pessoa
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