mercredi 28 novembre 2012

ESCREVER: AMAR



Não apagues o que se escreveu essa noite...
Estes rasgos, cada vez mais frequentes, de frenesia literària, põem-me a cabeça a mil e a alma de rastos. Sinto que vive desde sempre em mim, um poço interminàvel não de criação mas de vida subterrânea que ferve e està pronta para explodir. Pequena, jà sentia isso e, a cada desilusão, e confesso que foram muitas, constantes e continuas, o que havia cà dentro tinha absoluta necessidade de ser expulsado, cuspido.
Hinos ao amor.
E este o meu grito; o de palavras que vão jorrando da alma, indigestão de sentimentos que dou sem mesmo perceber aqueles que me são dados. E um mergulho sem ar, onde fico horas sem respirar, afogada num amor que me destroi. Tem que sair cà para fora!
Serà essa a busca que me està destinada; ter alguém que entenda o rio que cà dentro corre? Ter alguém ao meu lado que logo saiba navegà-lo, que entenda e canalize a corrente forte e que me ajude a fundear em àguas mais mansas.
Corre a vida e não encontro. Nem encontro o que procuro, nem transcrevo exactamente o que vive dentro de mim.
Deixo sò eclodir e transbordar esta força incomensuràvel de amar, esta urgência de dar e vou descobrindo que, afinal, é o amor que estou amando.

"Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa.
É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem-estar, e o nosso para o dele.
É receber uma atenção exclusiva e oferta-la na mesma medida.
Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro é que tem a chave desse cofre.
O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos.
Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo.
Amar prescinde de entendimento.
Por isso não sei amar, porque sou viciada em entender."
M. Medeiros

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