ouço as horas passar
compassadas e lentas
num silêncio assustador.
O sino deixou de tocar.
Vou e venho sem destino
sem saber para onde vou
à espera que algo aconteça,
um ruido qualquer, um gesto revelador
mas nada vem.
Jà nao vem nada.
Ainda nao posso arrancar
à alma desprotegida,
esta parte de mim mesma
que jà nao me pertence.
Ainda é cedo para isso.
Nesta espera nao hà bichos p'ra matar
sò pedaços de uma vida,
de que nao me posso separar.
Guardo as janelas fechadas e vou espreitando ao longe
Se virà o que tanto espero.
De onde, ainda nao sei.
| Que janela se abrirà? |
"Corro perigo como toda pessoa que vive
E a unica coisa que me espera é exactamente o inesperado"
Clarice Lispector
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