samedi 27 octobre 2012

ESPERA

Suspensa num tempo interrompido
ouço as horas passar
compassadas e lentas
num silêncio assustador.

O sino deixou de tocar.

Vou e venho sem destino
sem saber para onde vou
à espera que algo aconteça,
um ruido qualquer, um gesto revelador
mas nada vem.

Jà nao vem nada.

Ainda nao posso arrancar
à alma desprotegida,
esta parte de mim mesma
que jà nao me pertence.

Ainda é cedo para isso.

Nesta espera nao hà bichos p'ra matar
sò pedaços de uma vida,
de que nao me posso separar.
Guardo as janelas fechadas e vou espreitando ao longe
Se virà o que tanto espero.

De onde, ainda nao sei.

Que janela se abrirà?

"Corro perigo como toda pessoa que vive 
E a unica coisa que me espera é exactamente o inesperado" 
Clarice Lispector

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