mardi 23 octobre 2012

E DEPOIS, O QUE VEM?

A preencher espaço e tempo
abarcando as coisas que jà foram
substituindo as que jà não são
Parece tarefa impossivel
porque não hà vontade.
Mas o que viria senão?
Remendos grosseiros
mal alinhavados e que rasgam sem trégua.
Vai levar tempo apagar a saudade
vai levar tempo lembrar cada momento
sem que là deixe parte de mim.
Serà que vou conseguir?
Cada dia que vai vir jà sei que vão surgir
males tão fortes que terei que combater
vindos do que se aproveitou e jà não volta;
coisas feitas, coisas ditas, outras pensadas.
Se chegar à meta do que hà para esquecer
guardando sò o que valeu a pena, sem màgoas,
talvez consiga voltar a viver
não daquilo que foi nosso, que nos fez
mas sòmente viver do que sou, como sou, com o que tenho
e que me serve pra tão pouco, quase nada, se não estàs! 

Onde é que se pode encontrar o seu proprio eu?
Sempre no mais profundo encantamento que se experimentou!
H. Hofmannsthal

Quero ver um dia a nascer... contigo, um dia talvez!


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