Estava sentada numa pedra, os pés pendurados no abismo cismando,
o olhar perdido ao longe no azul desse oceano que o vento manchava do branco das ondas a estalar.
A pensar em ti.
Partilhar este horizonte e outros. Imaginar que là està sò para nòs.
Quizera que aceitasses rever a imensidao destes lugares onde a rocha escura se ilumina com o sol e se deita, abandonada ao balanço violento do mar.
Quizera que fosse este nosso rumo, entregues um ao outro, vendo para além da linha continua e finita do horizonte, sabendo que hà algo mais que nos espera. Para além do que se vê.
De mao dada combater o que nos trava.
Que ficasses comigo e que sem medo encarasses a possibilidade do que sonho.
Mas é desejo sem outra vida que aquela que lhe dou, eu sò.
Porque tu és o que espero mas nao alteras o que jà tens.
Como esperar? Por quanto tempo? E que rumo tomar?
"Um dia, depois de dominarmos os ventos, as ondas, as marés, a gravidade,
conseguiremos recolher...
as energias do amor,
e entao, por um segundo na historia do mundo,
o homem terà dominado o fogo..."
P. Teilhard de Chardin
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