Passaram-se meses, quase um ano, desde que isto começou. Houve altos fantàsticos e baixos arrazantes. Foram, estes ultimos os mais correntes mas a intensidade dos primeiros varre tudo. Hà uns dias, havia de novo promessas no ar. Imaginei este reencontro como um momento mais de delicias intensas mas hoje, de novo um silêncio que diz tanto. Diz que não hà mais nada, que não vale a pena forçar.
Pensei em primeiro que apesar de promessas, que nada de mal viria de ti, mas que havia no entanto uma vontade deliberada de magoar. Talvez não deliberada mesmo mas uma intenção que levava ao acto deliberado. Percebi depois que não. Quiz ser perdoada.
Fui influenciada por opiniões de duas pessoas cujo instinto e saber conseguem ver para além do visivel. Por duas vezes me disseram que o caminho era este, que és aquele que espero. Mas as atitudes provam o contràrio. Disseram-me que havia medo, de coisas e pessoas que te rodeiam, medo de uma conjuntura assustadora que sò vai trazer problemas. E compreendo isso. Sò não compreendo como se pode ter medo do que poderiamos ter sido.
Hà um refugio atràs do qual te escondes sistematicamente: a tal racionalidade. Coisa fàcil para quem pode. Arrumar os problemas e as perspectivas futuras numa logica racional pode ser uma solução. Mas deixa de o ser se vem impedir um destino de se cumprir.
Ainda acredito que tenhamos um destino juntos. E dos melhores. Mas a minha crença vai definhando à medida que observo como te desligas de nòs. Esta maneira hàbil que tens de me afastar do teu quotidiano. De me desligar da tua vida simplesmente, ocultando o que fazes quando, ainda hà pouco tempo, me dizias quase tudo. Podia imaginar-te evoluindo dia à dia, saber onde estavas, o que pensavas.
Hoje jà não sei nada. E gostaria por vezes ter a força de te confrontar a tudo isto. Dizer-te o que penso, o que sinto, o que sei de nòs. Mas temo que te afastes ainda mais e que acabe de vez por te perder.
Sei hoje que amanhã vais estar longinquo. Vais dar ao tempo que teremos uma ligeireza despropositada e injusta. Que não poderemos partilhar os momentos que estavam previstos. Por quem? Por mim, pelo destino e talvez também por ti. Mas como jà disse não queres porque, ao que parece, não tens nada para me dar. Eu acho que é mais porque não sabes como fazer mas é provàvel que esteja a traduzir os meus desejos para uma realidade de que não tenho consciência.
Quero que saibas que teria dado tudo. Que és agora tudo o que quero. Sem mais.
Mas não vai acontecer nada. Nenhum dos sonhos que tivemos. Porque sei que os tivemos mesmo.
Quero-te mais que tudo mas para ti, jà sou passado. Jà não posso acontecer-te.
Terei que escolher outro caminho sem saber para onde vou. E no entanto, qualquer caminho que me levasse a ti seria o bom. Mas as portas vão se fechando. Vais trancando as fechaduras uma a uma. E eu, vou ficar desamparada, perdida sem perceber porquê ages assim e vou pensando no que poderia ter sido.
O que te passa pela cabeça fica silêncio. Jà não sei nada.
Como saber?
"Leve-me para perto de você
Leve-me até onde você se esconde
É tão visível pra mim
E ao mesmo tempo distante
Leve-me até onde você se esconde
É tão visível pra mim
E ao mesmo tempo distante
Entregue-se a essa carência
Sem medo do que possa acontecer
Deixe-me aconchegar-me em sua essência
Realizar meus sonhos,desvendar o âmago do seu querer
Sem medo do que possa acontecer
Deixe-me aconchegar-me em sua essência
Realizar meus sonhos,desvendar o âmago do seu querer
Não se esconda, queira viver
Pois esse coração incólume
Pois esse coração incólume
De um toque suave e da paz que posso oferecer"
A.J.A. Bolato
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