E apareceste vindo do passado
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.
Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra:
Mil camadas de pó disfarçam, véus,
Estes quarenta rostos desiguais.
Tão marcados de tempo e macaréus.
Eu sou. Mas o que sou tão pouco é:
Rã fugida do charco, que saltou,
E no salto que deu, quanto podia,
O ar dum outro mundo a rebentou.
Falta ver, se é que falta, o que serei:
Um rosto recomposto antes do fim,
Um canto de batráquio, mesmo rouco,
Uma vida que corra assim-assim.
J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"
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