vendredi 21 décembre 2012

TANTO QUERO

Eu queria que me amasses como eu te amo.
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.

Aqui ou algures onde te espero


Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego - 
Isso que outrora era, 
Aqui onde, dormindo, 
-Sossego, só sossego- 
Se sente a noite vindo, 

E nada importaria 
-Sossego, só sossego- 
Que fosse antes o dia, 

Aqui, aqui estarei 
-Sossego, só sossego - 
Como no exílio um rei, 

Gozando da ventura 
- Sossego, só sossego - 
De não ter a amargura 

De reinar, mas guardando 
- Sossego, só sossego - 
O nome venerando... 

Que mais quer quem descansa 
- Sossego, só sossego - 
Da dor e da esperança, 

Que ter a negação 
- Sossego, só sossego - 
De todo o coração ? 

F. Pessoa, in 'Cancioneiro'



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