Desconhecida que parece que conheço tão bem.
Escrita, fotografia, sensibilidade, romantismo... e o mesmo amor por ti.
De inicio, quanto custou perceber que eramos duas! talvez seriamos mais até... mas as outras, não sei quem são. Somente tenho esta ideia que a sedução é uma arma de guerreiro infatigàvel.
Era ela, e era eu...
De dias previstos roubados, sei que "ela" deles aproveitou.
Tive raiva, a raiva do ciume, a raiva de saber que "ela" là esteve e eu não. Que "ela" te tinha e eu não. Perdição essa de sentir a terra que se abre num vazio do coração. O coração apavorado que bate numa solidão injusta...
Antes era eu, ou era "ela", depois fui eu, e depois foi ela.
Do que escreve entendo tudo, vida tão semelhante nesse amor que não se quer dar.
Viver a mesma coisa sem partilhar porque não posso.
Viver sem ti e sentir sem ti, é a mesma coisa para ela. E bem sei que se a deixaste, foi como quando me deixaste a mim. Vivemos a mesma coisa... sem ti.
No deserto, nada mais se parece com um grão de areia que outro grão de areia; é irremediàvel.
Para nao deixar de amar-te nunca
Saberàs que nao te amo e que te amo
pois que de dois modos é a vida,
a palavra é uma asa do silêncio,
o fogo tem a sua metade de frio.
Amo-te para começar a amar-te,
para recomeçar o infinito
e para nao deixar de amar-te nunca:
por isso, nao te amo ainda.
Amo-te e nao te amo
como se tivesse nas minhas maos a chave da felicidade
e um incerto destino infeliz.
O meu amor tem duas vidas para amar-te.
Por isso te amo quando nao te amo
e por isso te amo quando te amo.
Pablo Neruda
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