lundi 21 janvier 2013

CHEGAR AO FIM

Não hà que se enganar. Os caminhos da vida bifurcam. Cada momento, cada fase, acontecem num troço preciso. Hà curvas, vales e montes. Caminhamos pelo mesmo traçado enquanto uma historia por là nos leva.
Um dia, percebemos que a estrada bifurca. Podemos ficar parados no meio a pensar se o que segue serà melhor optando por um lado ou antes por outro. Em frente jà não dà. São momentos por vezes dificeis em que se tem aquela sensação que nada mais acontece e que uma decisão se impõe. Mas não se consegue decidir. São horas de sono roubado, defeitos de energia no dia a dia. A decisão nem sempre logo aparece.
Mas um dia tudo se esclarece. Sabemos definitivamente que o que foi vivido jà foi, jà não serà. E vamos pensando que se não se faz nada, fica-se ali encurralado num espaço porém aberto mas com a certeza que se està no fundo de um poço. E o tempo a passar sem nòs.
Decidir algo surge como uma urgência de que depende o que virà.
Remeter-se ao destino e escolher o novo caminho mesmo sem certeza que serà o bom.
O tempo dirà. O tempo constròi o que està para vir e vai esvanecendo o que se deixa para tràs.
Quando se chega ao fim, hà que recomeçar. Todos sabemos isso um dia.
Acho que estou pronta.
Vida, vida, vida leva-me agora!

Traçar caminhos mesmo longìnquos

Cada um cumpre o destino que lhe cumpre,
E deseja o destino que deseja;
Nem cumpre o que deseja,
Nem deseja o que cumpre.
Como as pedras na orla dos canteiros
O Fado nos dispõe, e ali ficamos;
Que a Sorte nos fez postos
Onde houvemos de sê-lo.
Não tenhamos melhor conhecimento
Do que nos coube que de que nos coube.
Cumpramos o que somos.
Nada mais nos é dado.

Ricardo Reis

lundi 14 janvier 2013

CULPA


"Ninguém deve culpar-se pelo que sente.
Não somos responsàveis pelo que o nosso corpo deseja
mas sim
pelo que fizemos com ele!"
E. Verissimo

mercredi 9 janvier 2013

ESTREMECIMENTO

Tinha esquecido este pormenor.
A um certo nivel, a sociedade portuguesa, a boa sociedade entenda-se, é um mundo de hipocrisia, de cinismo, de mentira e de cobardia.
Promessas que não se cumprem é pão do dia a dia. E se não se promete, deixa-se pensar, faz-se acreditar. No fundo é exactamente a mesma coisa.
Não é a desilusão que me tràs estes pensamentos. E a memoria que volta. Como é que eu pude esquecer que nessa terra se confunde boa educação com esses atributos todos?
O que seria se a boa educação fosse unicamente uma maneira de melhor viver com os outros? Numa logica de respeito e de consideração? Um amor da verdade, aquela que se diz sem contornos e que permite a cada um saber como contar com o outro, sem pareceres nem artificios.
Seria tão mais fàcil!

Mas, francamente: fé em quê?
Num mundo que almoça valores,
janta valores,
ceia valores,
e os degrada cinicamente, sem qualquer estremecimento da consciência?
Peçam-me tudo, menos que tape os olhos.
Bem basta quando a terra nos cobrir!
Miguel Torga

samedi 5 janvier 2013

CORAGEM

Súplica

Agora que o silêncio é um mar sem ondas,
E que nele posso navegar sem rumo,
Não respondas
Às urgentes perguntas
Que te fiz.
Deixa-me ser feliz
Assim,
Já tão longe de ti como de mim.

Perde-se a vida a desejá-la tanto.
Só soubemos sofrer, enquanto
O nosso amor
Durou.
Mas o tempo passou,
Há calmaria...
Não perturbes a paz que me foi dada.
Ouvir de novo a tua voz seria
Matar a sede com água salgada.
Miguel Torga

samedi 29 décembre 2012

SER O QUE NÃO SE É

"Hipocrisia: Homenagem que o vicio presta à virtude" - La Rochefoucault
Hipocrita: Pessoa que oculta a realidade atras de uma mascara de aparência

Que outro nome poderia ter aquele que convidou alguém para a sua vida, anunciando que o que havia estava gasto, usado, nunca dizendo abertamente que a ideia não era de recomeçar mas que ofereceu o que o outro esperava  e ao qual não deu seguimento?
Que outro nome lhe dar quando se sabe que, apesar do que nos fez crer, se està longe de se ser a unica?

"Se a sociedade não fosse viciada em hipocrisia, a infidelidade seria institucionalizada" M. Medeiros

"Ninguém é o que parece" - E. Verissimo

vendredi 28 décembre 2012

DESEJO E REALIDADES

Eu quero adormecer nos teus braços
esta noite, a de amanhã
e todas as outras que virão.
Sentir que estàs comigo e em mim
Sermos dois e sermos um sò.

Disfrutar o que somos
apreciar cada momento e gravà-lo
sentir as tuas mãos no corpo que te ofereço
perder-me nesse momento
para melhor te encontrar!

Tenho andado a pensar. Muito. Demasiado. Espero que destes pensamentos possam surgir verdades e certezas daquelas que me ajudarão a viver com "isto", talvez esquecer o que falta, o que doì, o que impede de avançar.
Tenho agora a certeza que não é vida nova que procuras. Aliàs penso que não procuras nada de verdade. Colhes. Vais colhendo sementes que lançaste tu proprio e delas fazes o teu jardim. Secreto. Tão secreto.
Porque não escolhes colher uma flor que seja tua. Unica. Colhes ramos que te enfeitam a vida; quando murcham, fazes outros. Não é por mal, não é defeito. E sò assim.
Não procuras substituir a flor que tens que dizes a quem quer ouvir que jà não serve. Não. Essa vais guardà-la e enganando uns e outros vais colhendo outras.
E uma maneira de ver e fazer as coisas. Não consigo aprovar!
Deixar para tràs o que jà não serve, não é desrespeitar o que houve. E guardà-lo porque foi vivido. Mas não dar à nova flor colhida o lugar que merece, isso sim é desrespeito. Sobretudo quando, sem nunca nada prometer, fazes sentir a cada uma delas que é ùnica.
Tudo isso merece transformação. Se não vier de ti, tem que vir de mim. Hà que arregaçar as mangas, hà trabalho!


Est-ce moi ou pour moi cette fleur que tu as cueillie?

Avoir le courage de regarder avec mansuétude tout ce qu'il y a en nous, parce que tout en nous est une matière brute qui ne souhaite que se transformer, jusqu'à ce qu'apparaisse, à travers toutes les ombres, dans une lumière toujours plus pure, l'image de ce que nous sommes dans notre vérité.

Et je veux m'endormir dans tes bras
cette nuit, celle de demain
et toutes celles qui viendront.
Te sentir avec et en moi
Etre deux et faire un seul.
Et demeurer ainsi!

O meu desejo sò existe porque dele fizeste uma realidade.

lundi 24 décembre 2012

PASSADO TAO PRESENTE SEM FUTURO

E apareceste vindo do passado
Que presente lindo me deste
Vendo logo quem eu era
oferecendo os meus sonhos mais preciosos,
como esquecer?
Desse passado que foi presente não queres futuro nenhum.
E fico assim esperando a sismar
de que serviu esse tempo que jà foi
e onde me levam as esperanças que acordou.
é que sem ti, nada mais faz sentido.
Volto à minha vida de detalhes insìpidos,
de quotidiano sem graça.
Porque quem conseguiu alcançar o que deseja
sempre fica na espera de là voltar
E fazer do passado presente
e do presente algum futuro.


Passado, Presente, FuturoEu fui. Mas o que fui já me não lembra: 
Mil camadas de pó disfarçam, véus, 
Estes quarenta rostos desiguais. 
Tão marcados de tempo e macaréus. 

Eu sou. Mas o que sou tão pouco é: 
Rã fugida do charco, que saltou, 
E no salto que deu, quanto podia, 
O ar dum outro mundo a rebentou. 

Falta ver, se é que falta, o que serei: 
Um rosto recomposto antes do fim, 
Um canto de batráquio, mesmo rouco, 
Uma vida que corra assim-assim. 

J. Saramago, in "Os Poemas Possíveis"

vendredi 21 décembre 2012

TANTO QUERO

Eu queria que me amasses como eu te amo.
Que me abrisses de vez os teus braços para me acolher.
Tenho esperado sinais que vieram,
outros ficaram mudos, inexistentes.
Eu queria que me chamasses,
que me pedisses para ficar contigo.
Seria bom que de vez deixassemos de nos perder,
que a distância deixasse de ser e que nunca,
mas nunca mais
as nossas vidas sejam somente dois caminhos cruzados.
Se eu tivesse o poder de te fazer pensar como eu penso
e que compreendas de vez que o teu lugar é comigo,
por perto.
Tanto desejo de partilhar,
de compartilhar contigo as coisas que jà nos unem.
Fazer com que o tempo nos dê todo o tempo
de sermos o que o destino nao nos quer ainda dar.
Es o que espero,
és o que quero
e nao te posso dizer isto sem recear que te escondas.
Nao tenhas medo de mim,
nao tenhas medo de encarar o que devemos ser;
nao me abandones, nao me percas!
Alguém me disse que valeria a pena,
também que nao seria fàcil.
Entao,
caso ainda nao tenhas percebido,
estou aqui,
para ti
e cà te espero.

Aqui ou algures onde te espero


Aqui onde se espera
- Sossego, só sossego - 
Isso que outrora era, 
Aqui onde, dormindo, 
-Sossego, só sossego- 
Se sente a noite vindo, 

E nada importaria 
-Sossego, só sossego- 
Que fosse antes o dia, 

Aqui, aqui estarei 
-Sossego, só sossego - 
Como no exílio um rei, 

Gozando da ventura 
- Sossego, só sossego - 
De não ter a amargura 

De reinar, mas guardando 
- Sossego, só sossego - 
O nome venerando... 

Que mais quer quem descansa 
- Sossego, só sossego - 
Da dor e da esperança, 

Que ter a negação 
- Sossego, só sossego - 
De todo o coração ? 

F. Pessoa, in 'Cancioneiro'



jeudi 20 décembre 2012

RÊVES ET DÉBRIS

Nul besoin de me sentir autant trahie
ce que je piétine désormais sont des débris.
Ceux de tout ce que j'ai fais ou cru faire
Des rêves détruits, si éphémères.

Ces morceaux de ce que je suis
Ceux sur lesquels j'ai construis ma vie
Sont les restes de mes souhaits les plus chers
Dont le goût est inexorablement amer.

J'ai tant cherché l'amour, ce fil de vie,
donnant tout à ceux qui me priaient un oui;
promettant d'aller aux plus lointaines contrées,
mais ils ne m'ont laissé que quelques doux secrets.

À qui la faute si j'ai rendus mouvants
les sables blonds des plages de mon enfance?
Des rêves en tête et tant d'insousiance,
c'était ainsi ma quête de l'amour que j'attends.

Puissent le ciel, les anges, la mer et encore
pour que je trouve enfin ce fameux trésor
me redonner la direction certaine
de ce grain de vie qui serait mon aubaine.

Prière fervente pour ce qu'il me reste à venir:
Ô mes guides montrez-moi le chemin vers mon désir
car je ne saurais, ne pourrais m'imaginer perdue
et vous promets de gravir les sentiers les plus ardus!

et pourtant, j'y crois encore!


Mais toute puissance sur terre
Meurt quand l’abus en est trop grand,
Et qui sait souffrir et se taire
S’éloigne de vous en pleurant.
Quel que soit le mal qu’il endure,
Son triste rôle est le plus beau.
J’aime encor mieux notre torture
A.de Musset






mercredi 19 décembre 2012

ENCURRALADA

Se me levasses para o cimo
Como uma dansa.
Um passo em frente, outro para o lado, dois ou três para tràs... ou pausa no movimento.
Mas falta o esquema da coreografia. E perfeitamente aleatoria e destabiliza.
Como uma dansa.
Palavras que fazem bem, outras mais banais. Mas o que doi é o silêncio porque não se percebe porque vem e se instala.
Seria tão claro se soubesse onde se escondem essas emoções contradictorias. Avançar, recuar para no final mudar sò o dia.

Com algum fetichismo, hà dias que me enfeito. Uma joia diferente, uma côr desigual. Pensaria que algo exterior à tua unica vontade poderia influenciar o que me dàs, o que não me dàs. Recuperar o que me tiraste depois de ter dado tanto! Nada acontece; tudo desacontece. Uma malha retirada que arrasta as outras todas para que no final não sobre nada.

O espaço continua vasto e tão vazio. Empurrei os muros do meu quotidiano para te deixar entrar, dar-te o ar que pedias e a atenção que exigias. Encheste e preencheste. O que farei agora? Não te posso substituir e também não quero. Não te podes apegar... e também não queres. Este caminho é um bêco e não consigo voltar para tràs, alcançar a saìda, libertar-me e o que hà em frente é uma muralha intransponìvel, poderosa, indestructivel.

Onde estarà a salvação? Salvar-me de ti que não me queres, salvar-me de mim que não me suporto.
Sem saìda.
Cansada de procurar a luz, vou esperando e definhando a esperança que ainda tenho que me ajudes a voar!

Saudades!
Sim... Talvez... e porque não?...
Se o nosso sonho foi tão alto e forte.
Que bem pensara vê-lo até à morte.
Deslumbrar-me de luz o coração!
Esquecer! Para quê?... Ah! como é vão!
Que tudo isso, Amor, nos não importe.
Se ele deixou beleza que conforte.
Deve-nos ser sagrado como o pão!
Quantas vezes, Amor, já te esqueci,
Para mais doidamente me lembrar, Mais doidamente me lembrar de ti!
E quem dera que fosse sempre assim:
Quanto menos quisesse recordar.
Mais a saudade andasse presa a mim
F. Espanca

mardi 18 décembre 2012

TOUJOURS


A chaque crépuscule, quelque chose tourne...

Nous possédons des forces inimaginables. Notre pensée renferme à elle seule tout l'univers parce que nous sommes capables de le penser, de l'imaginer, d'en créer les moindres détails. Nous en sommes les maîtres; il suffit de le vouloir. Mais cette force n'est pas toujours ni maitrisée ni maitrisable. Elle émerge durant quelques instants à des moments précis de notre existence et parfois, sans le vouloir, nous passons à côté des opportunités que ces éclairs de lucidité nous ouvrent.

Cette force m'est donnée lorsque j'aime et que l'on m'aime en retour. L'amour est un guide, une énergie qui m'est transmise par le seul regard de l'autre. Les mots associés en sont les vecteurs.

Dans cette échelle de valeurs, il est des jours où je suis écrasée par la douleur, d'autres où un soulagement me permet de respirer un peu, d'autres encore où je me sens invincible. Il est difficile de naviguer ainsi entre des états aussi opposés sans que l'on sache vraiment pourquoi nous nous y trouvons. Un détail de la veille, un autre de l'instant, et tout peut basculer d'un extrême à un autre. Je ne maîtrise pas. Qui le pourrait? Encore faudrait-il se ranger à une racionalité sans faille, une intelligence de son moi totalement encadrée. je n'en suis pas capable. Si je l'étais, j'imagine que tout cela serait infondé.

Ecouter un mot. le comprendre, l'interpréter, le ramener d'une part au profit de nos souhaits les plus vitaux. Ou bien, le laisser nous rabaisser, nous avachir, détruire le peu que l'on avait réussi à ériger. Ne serait-ce là mettre à mauvais profit notre intelligence? L'intelligence du coeur est trop fluide et nuancée lorsque comparée à celle de notre seule pensée. Que faire lorsque notre pensée est l'otage de nos sentiments et que tout se brouille comme une émission parasitée?

Trop de questions. J'aurais envie de me laisser couler dans le quotidien, aussi morne soit-il. J'y parviens parfois seulement. Parfois parce que au delà de se laisser aller, les souvenirs viennent taper comme des massues assomantes, des lances pointues qui transpercent les tripes. La douleur est là. Comme un baromètre affolé par tant de variations, il est impossible dès lors de garder sa sérénité.

Alors je me fais un voeu et je voudrais que mes anges me l'octroient: Si je ne peux atteindre le souhait le plus fervent qui serait de conquérir le sommet de cette montagne que tu représentes (et je me comprends), alors que je puisse oublier à quel point ce souhait m'est urgent!

Mais, quoi qu'il arrive:
Tu seras toujours avec moi.
Je t'emmènerai en te prenant la main
voir toutes les aurores et leur crépuscule
comme la promesse que dans chaque jour achevé
nous ne nous manquerons plus
... il n'y aura plus lieu!
D'une façon
ou d'une autre.

dimanche 9 décembre 2012

PATIENCE ET LONGUEUR DE TEMPS...

Que de temps faut-il parfois attendre pour qu'une fleur s'épanouisse! Toute plante qui pousse trop vite, se fane aussi rapidement.
Il nous faut laisser, aux autres comme à nous-mêmes, le temps nécessaire au changement.
Mon ange, donnez moi la force de porter jusqu 'au bout mon fardeau, et d'accéder à la conviction confiante que la métamorphose surviendra!

vendredi 30 novembre 2012

L'EFFET PAPILLON

... mas quem pode livrar-se porventura
dos laços que o amor arma brandamente?"
L. de Camões

Un regard vers les cieux, dans l'attente d'un signe

Je ne peux empêcher que ce que j'ai vécu soit déjà du passé.
Je voudrais m'accrocher à ce que je ne peux retenir.
Je voudrais que le temps me donne l'espérance
Qu'il me permette d'accomplir la certitude de mes rêves
et me laisse croire encore que tout est finalement possible.

C'est un détail infime dans l'univers;
je tends mes mains et attends qu'un papillon se pose.

mercredi 28 novembre 2012

ESCREVER: AMAR



Não apagues o que se escreveu essa noite...
Estes rasgos, cada vez mais frequentes, de frenesia literària, põem-me a cabeça a mil e a alma de rastos. Sinto que vive desde sempre em mim, um poço interminàvel não de criação mas de vida subterrânea que ferve e està pronta para explodir. Pequena, jà sentia isso e, a cada desilusão, e confesso que foram muitas, constantes e continuas, o que havia cà dentro tinha absoluta necessidade de ser expulsado, cuspido.
Hinos ao amor.
E este o meu grito; o de palavras que vão jorrando da alma, indigestão de sentimentos que dou sem mesmo perceber aqueles que me são dados. E um mergulho sem ar, onde fico horas sem respirar, afogada num amor que me destroi. Tem que sair cà para fora!
Serà essa a busca que me està destinada; ter alguém que entenda o rio que cà dentro corre? Ter alguém ao meu lado que logo saiba navegà-lo, que entenda e canalize a corrente forte e que me ajude a fundear em àguas mais mansas.
Corre a vida e não encontro. Nem encontro o que procuro, nem transcrevo exactamente o que vive dentro de mim.
Deixo sò eclodir e transbordar esta força incomensuràvel de amar, esta urgência de dar e vou descobrindo que, afinal, é o amor que estou amando.

"Não consigo imaginar nada mais satisfatório do que amar, e mesmo não sabendo o que o amor significa, sei o que representa.
É o que nos faz, no meio de uma multidão, destacar alguém que se torna essencial para nosso bem-estar, e o nosso para o dele.
É receber uma atenção exclusiva e oferta-la na mesma medida.
Ter uma intimidade milagrosa com a alma de alguém, com o corpo de alguém, e abrir-se para essa mesma pessoa de um jeito que não se conseguiria jamais abrir para si mesmo, porque só o outro é que tem a chave desse cofre.
O amor é uma subversão, e seu vigor nunca será encontrado em amizades ou parentescos.
Todas as palavras já foram usadas para defini-lo: magia, surpresa, visceralidade, entrega, completude, requinte, deslumbre, sorte, conforto, poesia, aposta, amasso, gozo.
Amar prescinde de entendimento.
Por isso não sei amar, porque sou viciada em entender."
M. Medeiros

mardi 27 novembre 2012

VOLTAR?

A minha terra não é um Estado.
E uma alma, um corpo, um homem que me acolhe no seu colo como um berço maternal.
Voltar para casa era ter-te e estar-te porque quiz que fosses o meu antro.

O tempo passou,
continuei acordando, indo dormir todos os dias,
querendo ser mais feliz para ele
mais bonita para ele
mais mulher para ele.
Até que algo aconteceu.
Um dia, acordei tão bonita
tão feliz, tão realizada
que acabei sendo mulher demais para ele.
Eu não preciso dele nem para andar
mas um pouco para ser feliz.
Mas como seria bom voltar a andar
e ser feliz ao seu lado.

E eu, finalmente
deixei de ter pena de mim por estar sem ele
e passei a ter pena dele por estar sem mim
T.Bernardi

mardi 20 novembre 2012

PERDIDO

"Quanto tempo dura o eterno?
As vezes, apenas um segundo!"
Lewis Carroll


A espera que a onda passe


Onde andas, o que fazes?
Tenho consciência que a partir de hoje um novo silêncio se instala. A tua vida decorre como sempre decorreu.
Antes de mim, comigo e depois. Sem que nada tenha mudado.
Fui um intervalo, um parenteses que se abriu, se fechou e depois se apagou.
Tenho que perceber que não sou, não fui quase nada no espaço que se abriu. Não posso esperar que algo aconteça agora.
Não que tenha perdido esperança mas num rasgo de lucidez, jà sei que não estàs mais comigo.
Perdido.
Sinto a tua falta mas não sentes a minha.
Dizem que no silêncio uma vida acontece, mas sò a tua; nada da nossa porque é provàvel que nem tenha existido. Foi sonho que esvanesceu como quando queremos contar o que a noite buscou no pensamento adormecido e que de manhã desaparece. Sò aquela sensação de que algo de bom ocorreu, algo que marcou e que é mais que uma ideia ou um conto, algo que se sentiu e que ficou imprimido na alma.
De nada serve lembrar que houve tempo e espaço nosso; penso às vezes que imaginei tudo porque estava tudo tão perfeito.
Deste sonho acordei e não acordas tu porque não soubeste sonhar.
E agora?
Que o tempo me dê tempo não tanto para recordar mas para perceber.


"Morre lentamente quem se transforma em escravo do hábito, repetindo todos os dias os mesmos trajetos, quem não muda de marca, não se arrisca a vestir uma nova cor ou não conversa com quem não conhece (...).
Morre lentamente quem evita uma paixão, quem prefere o negro sobre o branco e os pontos sobre os “is” em detrimento de um remoinho de emoções, justamente as que resgatam o brilho dos olhos, sorrisos dos bocejos, corações aos tropeços e sentimentos.
Morre lentamente quem não vira a mesa quando está infeliz (...), quem não arrisca o certo pelo incerto para ir atrás de um sonho, quem não se permite pelo menos uma vez na vida, fugir dos conselhos sensatos.
Morre lentamente quem não viaja, quem não lê, quem não ouve música, quem não encontra graça em si mesmo.
Morre lentamente quem destrói o seu amor-próprio, quem não se deixa ajudar.
Morre lentamente, quem passa os dias queixando-se da sua má sorte ou da chuva incessante.
Morre lentamente, quem abandona um projeto antes de iniciá-lo, não pergunta sobre um assunto que desconhece ou não responde quando lhe indagam sobre algo que sabe.
Evitemos a morte em doses suaves, recordando sempre que estar vivo exige um feito muito maior que o simples facto de respirar.
Somente a ardente paciência fará com que conquistemos uma esplêndida felicidade."
Martha Medeiros

mardi 13 novembre 2012

TABLEAU DE CHASSE

Il n'est pas facile de penser pour l'autre alors que j'ai déjà du mal à penser pour moi.
Lorsque les situations manquent de clarté ou bien qu'elles sont jonchées de malentendus, comment savoir où se trouve la vérité? La vérité étant la pensée réelle de chacun, exprimée de façon simple et sans détours. Mais la manière dont les choses sont dites se doit d'être adaptée à l'interlocuteur à qui l'on veut faire passer le message; il doit être simple, direct, sans équivoque. Comment faire quand l'autre ne dit pas ce qu'il pense et qu'il peut ne pas penser ce qu'il dit!

Passée la période ascendante,
celle durant laquelle tous les espoirs sont permis, lorsque l'objectif est résolument de conquérir l'autre, le message est clair. Mais dès lors que les choses commencent à changer, à décliner, que la phase de conquête s'étiole et s'achève enfin, on entâme une sorte de "non-lieu" linguistique durant lequel, celui qui reste dans la relation, le conquis, a la facheuse tendance à se vouer à l'interprétation. Chaque mot, chaque phrase, chaque intention, sont soumis à un examen minutieux, fastidieux et poisonneux. Oui, il s'agit d'un vrai poison venant envenimer le plaisir qui existait autrefois dans l'échange.

Jusqu'au jour où l'on réalise que l'on s'est engagé sur le mauvais chemin.
Lorsque l'on ouvre soudain les yeux à la réalité, l'autre est déjà ailleurs. A presque mi-chemin d'une route qui nous est étrangère, qui résolument ne fait ni partie du "nous", ni de nous-mêmes. On découvre alors l'erreur, les erreurs commises, le leurre absolu.

Blessure.
D'amour-propre, de confiance en soi.
On se dit que l'on fait désormais partie d'un troupeau alors que l'on se pensait unique, parce que c'est bien ce que l'autre a voulu.
Manipulation.
Tromperie.

Le conquérant se cache alors tout en se montrant. Il vous a séduit en révélant le meilleur de lui-même et en réussissant à ce que vous aussi vous lui donniez le meilleur.
Puis...
plus rien.
La conquête achevée l'entraîne vers d'autres conquêtes. Et ainsi de suite.

Le conquis n'a plus alors que ses yeux pour pleurer son amour perdu.
Le conquis réalise qu'il prend place dans l'amas de trophées de l'autre.
On se considère désormais sans le regard, sans l'acceptation, sans l'amour que l'on pense avoir reçu.
L'amour dis-je?

Je ne comprends pas l'autre ou bien je ne suis pas prête à le comprendre.
Si la vérité est bien celle à laquelle je pense soudain, je suis si déçue, désenchantée, triste.
Comment cela peut être possible? Encore?
Les pièges ne se ressemblent donc pas tous?
Vous réalisez alors que les états d'âmes du conquérant, l'immensité qu'il vous a offert pour un temps, ne reviennent plus au conquis.
Dorénavant tout va à la conquête à venir.

Répétition annoncée?

L'amour?
Pourquoi soudain je doute? (bribe de racionalité?)
Suis-je une autre dans un tableau de chasse?
Pourquoi l'univers m'a t-il semblé à sa place?
Serait-ce juste parce que la proie s'est donnée tout entière au chasseur...


La légende est inutile


lundi 12 novembre 2012

QUELQUES MAXIMES

J'ai établi une entente de co-existence pacifique avec le temps; Il ne me poursuit pas, je ne le fuis pas.
Un jour nous nous rencontrerons.
M. Lago

Il y a toujours un peu de folie dans l'amour
bien qu'il y ait toujours un peu de raison dans la folie
F. Nietzche

jeudi 8 novembre 2012

CONFISSAO

"Na vida, todos temos um segredo inconfessàvel, um arrependimento irreversivel, um sonho inalcançàvel e um amor inesquecivel". D.Marchi

Confesso o tédio que me levou a ti,
e que fechei os olhos para melhor sonhar.
Confesso que acreditei na genuidade do que ocorreu
e em cada instante que passou
Confesso que te amei sem procurar razoes
porque estavas e eras e que mais sei là!

Es o meu segredo que mais preciso gritar

Confesso que nao prometeste nada
mas que cada dia se esperou mais e mais.
Confesso que nunca conheci
fervor tal, amor assim
Confesso que te preciso como ninguem
nao pelo que houve mas pelo que devia vir

Nao me arrependo de ter dado tanto

Confesso que fui percebendo ao decorrer do tempo
que o meu tempo chegaria ao fim.
Confesso que batalhei, chorei... quase te implorei
que pusesses tudo como no inicio.
Confesso que sabia dos teus impedimentos
e sobretudo da falta de vontade.

Foste o mais real dos meus sonhos

Confesso que entristeci
afogada em làgrimas que jà vinham de antes
Confesso que nao tenho dormido
porque sao noites e noites sem ti
Confesso que se estou de pé
é por certo porque um anjo anda perto.

Es o amor que espero, mas que jà nao volta.

samedi 3 novembre 2012

DE OUTRA

De outra para ti
No dia em que tudo sucedeu.
Resumidos os meses que passaram
Sentimentos nascidos, vividos
Que morreram.
Chegou a minha vez, jà tive o que devia!

"Dentro de mim choro
Não a tua morte
Que não morreste em mim
Mas a morte de mim em ti"
S.C.B.