jeudi 23 août 2012

AS MINHAS PAISAGENS

The only acceptable writting is the one you create... that's what make things come true (E. Hemingway)

Foi o conselho de uma amiga que me levou a criar este espaço.
Aqui, é um pouco como falar à minha consciência, tentar alcançar o que tenho de mais profundo para melhor perceber o que sou. Dizer o que sinto.
Como a qualquer um, a vida tem me dado muito, ou o suficiente, e nem sempre estou agradecida como deveria. Sempre esta impressão que hà um sonho, ou vàrios, para alcançar e que nem sempre là chego. Falta-me, por vezes, o recuo necessàrio para avaliar as coisas. As boas, as màs e as outras.
Tenho consciência que é a tristeza o que mais me inspira. Suponho que é nesses momentos que a alma se despe. Ficamos mais "a vivo", a sensibilidade exacerbada.
Fica raro ter vontade de escrever quando tudo corre bem.
No entanto, aproveito esta trégua no turbilhão do que me passa pelo espirito, neste vendaval de sentimentos que tenho vivido e tentado imprimir aqui, para escrever algo de menos dramàtico e triste.
Vou constatando que de facto escrever aqui tem um impacto mais forte que de preencher as pàginas dos meus cadernos. Porque serà?
Serà porque sei que desconhecidos vão ler o que aqui encontram, sem aliàs perceber outra coisa que os estados de sofrimento que aqui se vão inscrevendo? E estranha esta impressão de largar o que tenho de mais intimo aqui na tela sendo incapaz de falar destas coisas aos amigos.
Não é dar espectàculo, isso não.
Os que aqui vêm nunca me deixaram o minimo comentàrio nem sobre o que escrevo nem sobre a maneira como està escrito. Afinal, nem sequer sei que opinião têm disto. E, confesso, pouco me importa mesmo. Isto é como um livro anonimo aberto a todos. Que se lixem as sentenças. O que importa é que isto me faz bem.
Quando releio o que foi escrito dias antes, continuo a pensar e sentir as mesmas coisas mas de um modo diferente. Amenizado. Com uma focagem diferente, com mais distância.
Acho que é isso que isto me dà; uma espécie de ligeireza para encarar as coisas que aqui deixo, os acontecimentos que relato, estes pedaços de mim que lanço para o desconhecido.
As vezes, gostaria poder fazer uma declaração, franca, directa. Eu cà sei a quem. Mas afinal de nada serve. O que havia para dizer jà foi dito, normalmente dito, com risos amarelos ou entre dois soluços. Então é inutil. Vou-me declarando, à minha maneira, com metaforas (e nem sempre!!) e outros exercicios de estilo que não maneio tão bem quanto isso.
Mas isto não é concurso de literatura.
São paisagens da minha alma e fico contente de as pousar aqui.
Para mim sò, afinal.
São aguarelas penduradas em paredes brancas.
Então, sento-me e, bem caladinha, olho para elas e tento ouvir o que elas me contam.

Uma tarde, passeava à beira do rio e ouvi os lamentos de um violino...

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