Outrora,
num tempo que jà foi
e tão presente ainda
adivinhaste a rosa escondida.
Espreitaste para além da muralha
viste-lhe a alma, sentiste-lhe o aroma
Admiraste-a e desde então ela viveu.
Ficou tão reconhecida
que quiz dar-te o que trazia:
Ternura, carinho quanto baste, sem contar
Fizeste-lhe uma sinfonia de atenções,
deste-lhe o que nunca recebera
e ficou-te meigamente agradecida
Mas o amor que lhe dizias
foi se perdendo com o tempo
E hoje, quando passas pelo muro
Escondida, ela te espreita
Porque sabe que jamais
A amaràs como fazias!
Une rose seule, c'est toutes les roses.
Et celle-ci, l'irremplaçable, le parfait, le souple vocable
encadré par le texte des choses.
encadré par le texte des choses.
Comment jamais dire sans elle
ce que furent nos espérances et les tendres intermittences
dans la partance continuelle.
(Rainer Maria Rilke)

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